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Polícia brasileira ainda carrega herança da ditadura, diz francês | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Vinte anos se passaram desde o fim do regime militar no Brasil, mas a polícia ainda sofre influência dos tempos de repressão política, na opinião de Jean-François Deluchey, cientista político e pesquisador do Instituto de Estudos da América Latina da Universidade Sorbonne, em Paris. "Os resquícios da ditatura não sumiram", diz o especialista. Na opinião de Deluchey, que desde 1996 vem estudando o fenômeno da violência no Brasil, isso ocorre porque os primeiros governos democraticamente eleitos não deram atenção devida ao problema. "As primeiras experiências em busca de mudanças só foram feitas a partir de 95, no Estado de São Paulo, com a criação da primeira ouvidoria de polícia. E, também, no Estado do Pará, que fez uma grande reforma do seu sistema policial", argumenta Deluchy. Reformas "Desde então, muitas reformas dos sistemas estaduais foram feitas, no bom caminho. Mas é preciso reformar também as mentes e a doutrina, a cultura que estrutura o sistema policial brasileiro nos estado." Na opinião do especialista, o Brasil precisa mostrar que na questão segurança as práticas repressivas foram deixadas claramente de lado.
"Eu acho fundamental demonstrar que o Brasil da segurança vai para outra direção que antigamente. E eu acho que é exatamente o que o governo está fazendo agora, dando continuidade ao Programa Nacional de Direitos Humanos, criado na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso". Uma das qualidades deste plano, segundo o especialista francês, é ter pensado as questões de segurança pública, sem deixar de lado a defesa dos direitos humanos. "Essa mudança mostrou que os direitos humanos não eram um obstáculo a eficácia do sistema policial", avaliou Deluchey. Corrupção O especialista em segurança pública também ressaltou a necessidade de combate à corrupção policial. Deluchey trabalhou na análise de diversas ocorrências de flagrantes realizados por policiais de delegacias de entorpecentes e disse que ficou impressionado com o que viu. "Você pode detectar os casos de corrupção apenas lendo os relatórios de flagrantes." Para Deluchey, é fundamental “desbaratar a polícia” da chamada parte “pobre” antes de qualquer medida. Os passos seguintes seriam ensinar, formar, reativar outra doutrina de segurança pública "para que os policiais tenham os valores para defender que não sejam não só o enriquecimento individual". "Só depois de tudo isso, você vai voltar a ter credibilidade. E só vai conseguir isso trabalhando, trabalhando certo", concluiu o especialista. Ao contrário de muitos especialistas que trabalham no ramo de segurança pública brasileira, Jean-François Deluchey se diz otimista com mudanças que possam ocorrer no Brasil. Mas as transformações, na sua opinião, vão demorar. "O Brasil atualmente não tem possibilidade de investir radicalmente em equipamentos, em policiais e em ensino." |
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