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Atualizado às: 05 de março, 2004 - 12h53 GMT (09h53 Brasília)
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Uma em cada três mulheres é vítima de violência, diz Anistia

Campanha publicitária contra violência doméstica da instituição de caridade britânica Refuge
Cerca de 70% dos assassinatos foram cometidos pelos maridos
Pelo menos uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida, de acordo com estimativa da Anistia Internacional.

A organização lançou nesta sexta-feira uma campanha global de erradicação da violência contra a mulher.

O objetivo é garantir a proteção dos direitos humanos de milhares de mulheres que, diariamente, são espancadas, estupradas, mutiladas e assassinadas.

"Isso não é algo que acontece apenas com outras pessoas. Acontece com você, com seus amigos e com sua família", diz Irene Khan, secretária-geral da Anistia Internacional.

"Até que todos nós, homens e mulheres, digamos 'eu não vou permitir que isso aconteça', isso não vai parar", acrescentou Khan.

Atrocidades

A campanha "Está Em Suas Mãos: Pare a Violência Contra as Mulheres" chama a atenção para a responsabilidade do Estado, da sociedade e dos indivíduos diante do problema.

As estatísticas publicadas no relatório da Anistia Internacional, divulgado junto com o lançamento da campanha, revelam as atrocidades cometidas contras as mulheres ao redor do mundo, "seja em tempos de guerra ou de paz".

De acordo com o Conselho da Europa, a violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos de idade e mata mais do que câncer e acidentes de tráfego.

Campanha publicitária contra violência doméstica da instituição de caridade britânica Refuge
Anistia diz que maioria das vítimas sente medo de hostilidades

Nos Estados Unidos, as mulheres representaram 85% das vítimas de violência doméstica em 1999, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

O governo russo estima que 14 mil mulheres tenham sido assassinadas por seus parceiros ou parentes em 1999 – o país ainda não tem leis específicas sobre violência doméstica.

Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que cerca de 70% das vítimas de assassinato do sexo feminino foram mortas por seus maridos.

A Anistia Internacional afirma que esses números representam apenas "a ponta do iceberg" já que a violência contra a mulher geralmente não é reportada, pois as vítimas se sentem envergonhadas ou sentem medo de que ocorram mais hostilidades.

"Do campo de batalha aos seus quartos, as mulheres vivem sob risco", comentou a secretária-geral da Anistia.

Mudanças

Para mudar esse cenário de violência doméstica, a Anistia Internacional afirma que as comunidades - internacional, nacional e local - devem tomar determinadas iniciativas.

A organização diz que uma das formas de prevenção é debater mais o tema e escutar as vítimas - e acreditar no que elas contam.

Também é necessário, segundo a Anistia, confrontar as atitudes religiosas, sociais e culturais. A maior igualdade entre homens e mulheres, no poder político, também tem de ser promovida.

Para alcançar tais metas, a instituição vai apoiar grupos de mulheres que lutem por seus direitos e investigará os casos de abuso, convocando seus quase 2 milhões de ativistas ao redor do mundo.

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