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Um milhão protestam contra lei na França | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cerca de um milhão de pessoas participam dos protestos em toda a França contra um polêmico projeto de lei trabalhista, segundo estimativas da polícia. Manifestantes entraram em confronto com os policiais em Paris, que foram atacados com pedras e objetos enquanto tentavam retirar as pessoas que estavam causando problemas do meio da multidão. O correspondente da BBC em Paris Jon Sopel, que estava presente na manifestação, relatou que o protesto inicialmente era pacífico, mas alguns grupos de manifestantes começaram a entrar em choque com a polícia. Os policiais usaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar um grupo de jovens encapuzados que teriam atacado tanto policiais como outros manifestantes. No final da tarde a polícia já havia prendido 400 pessoas, cerca de 200 apenas em Paris, segundo informações da agência de notícias AFP. Também ocorreram choques em Rennes e Grenoble. Esta é a quarta vez que estudantes e sindicatos convocam um movimento nacional de oposição à legislação proposta, que permitiria a demissão de jovens com menos de 26 anos sem justa causa ou aviso prévio durante um período de experiência de dois anos. Greve geral Os principais choques entre a polícia e manifestantes ocorreram na Place de la Republique, na região central de Paris. Segundo a correspondente da BBC em Paris Emma Jane Kirby, apesar dos choques, a maioria dos manifestantes é pacífica. "Estamos aqui por nossos quatro filhos. Estamos preocupados com o que vai acontecer com eles. Meu filho tem 23 anos e não tem emprego. Isso é normal na França", disse o manifestante Philippe Decrulle, em Paris, à agência de notícias Associated Press. Foram enviados mais soldados da tropa de choque para a capital francesa antes do início das manifestações. As manifestações se somam a uma greve geral convocada contra a medida, que paralisou grande parte da rede de transportes - trens, ônibus e aviões - da França. Além dos transportes, a greve está afetando escolas, o correio, bancos e repartições públicas. Com a adesão dos funcionários do transporte público à greve, a rede de trens e ônibus está praticamente paralisada. Paralisações também foram registradas em Bordeaux, Lille, Marselha, Nancy, Estrasburgo e Valenciennes. O ministro do interior francês, Nicolas Sarkozy, se reuniu com a polícia em Paris antes do protesto e pediu que fossem presos apenas aqueles que ele chamou de delinqüentes. "Minha primeira instrução é que vocês protejam os manifestantes, especialmente os mais jovens. A segunda instrução é que vocês prendam os delinqüentes", disse.
Na cidade de Nantes a polícia afirma que 42 mil participaram do protesto, mais do que o dobro registrado em 18 de março. Le Mans, Rouen e Tours também registraram aumento no número de manifestantes. Estabilidade O governo diz que seu projeto vai encorajar os empregadores a contratarem mais jovens, mas os estudantes temem que ele acabará com a estabilidade trabalhista num país onde mais de 20% dos jovens entre 18 e 25 anos estão desempregados – mais do que o dobro da média nacional. A correspondente da BBC em Paris Caroline Wyatt diz que as novas manifestações serão um verdadeiro teste sobre a determinação do primeiro-ministro Dominique de Villepin em manter o projeto, e que é difícil ver como ele poderá quebrar o impasse. Segundo ela, é um grande desafio para a carreira política de Villepin encontrar uma solução sem se desmoralizar, ou perder terreno para seu principal rival para as próximas eleições presidenciais, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy. Os principais sindicatos se recusam a negociar até que ele retire o projeto, enquanto que o premiê insiste que não será influenciado pelo clamor das ruas. Na França, as manifestações populares são consideradas há muito tempo como uma poderosa arma política. Mas há o temor em ambos os campos sobre uma possível quebra da ordem pública se os protestos continuarem. |
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