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Atualizado às: 28 de março, 2006 - 00h26 GMT (21h26 Brasília)
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Mercado em Nova York cai com anúncio de Mantega

Guido Mantega
'O mercado ainda está digerindo' indicação de Mantega, diz economista do DRKW
O mercado financeiro em Nova York reagiu bem à notícia inicial de que o ministro Antonio Palocci seria apenas "afastado" do Ministério da Fazenda na tarde desta segunda-feira.

Mas a reação mudou quando ficou claro que Palocci estava realmente pedindo demissão e seria substituído pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega.

O risco-país, que na sexta-feira fechou em 236 pontos, caiu ligeiramente com a notícia de "afastamento" de Palocci.

O uso do termo "afastamento" na nota oficial levou boa parte dos analistas a entender que o ministro manteria o cargo e a imunidade nas investigações da CPI, e que o Ministério seria tocado pelo secretário-executivo, Murilo Portugal, o preferido dos investidores.

Risco-país

"Foi uma solução de gênio", chegou a dizer o economista Ricardo Amorim, chefe da área de análise e recomendação de investimento para a América Latina do banco West LB em Nova York.

Logo depois, com a confirmação de que Palocci estava deixando o ministério e que Mantega estava assumindo o cargo, a avaliação mudou.

O risco-país subiu e fechou em 240 pontos. No Brasil, não houve reação porque o mercado já havia fechado quando a notícia foi divulgada. Em Nova York, o dólar subiu dos R$ 2,17 do fechamento no Brasil para R$ 2,21 no início da noite, com um movimento financeiro pequeno.

"Foi uma reação negativa", disse Amorim depois que ficou claro que Mantega estava assumindo o Ministério. Ele acredita que nesta terça-feira a moeda americana deve ser negociada no Brasil por um valor intermediário entre as duas cotações.

A nomeação de Mantega é vista como um risco por alguns e como uma notícia positiva por outros. "O mercado ainda está digerindo", resumiu Nuno Camara, economista responsável pela área da América Latina do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein (DRKW), em Nova York.

Mas ele acha que as declarações iniciais do novo ministro, de que vai manter a política econômica atual, vão convencer o mercado. "Fica claro que ele vai se guiar pelo pragmatismo. No BNDES ele cumpriu o papel dele e agora no Ministério vai seguir a política do governo", afirmou.

Ele diz que como a nomeação aconteceu no fim da tarde a reação deve continuar nesta terça-feira, mas não espera grandes oscilações. "O mercado vai analisar, precificar e tocar para a frente", afirmou.

O economista Paulo Vieira da Cunha, ex-economista do HSBC e professor da Universidade de Columbia considera a saída de Palocci uma perda para o país e diz que a nomeação de Mantega traz incertezas sobre a política econômica num possível segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"A decisão de colocar Mantega antecipa o debate sobre a política econômica do segundo mandato", afirma.

A preocupação, diz ele, não é se Mantega vai ou não manter a política econômica até o final do governo, mas se ele vai continuar no cargo no caso de Lula ser reeleito.

Neste sentido, ele diz que a nomeação de Murilo Portugal seria mais bem vista porque deixaria claro que era apenas um governo de transição. "Uma combinação Mantega-Portugal para 2007-2010 é impensável", diz Vieira da Cunha.

Argentina

Em Buenos Aires, o economista argentino Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados, disse que está “preocupado” com a substituição do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Segundo ele, Palocci “arrumou a casa”, eliminando a dívida pública em dólar, reduzindo o déficit público, melhorando o clima para novas reduçoes das taxas de juros e abrindo caminho para o Brasil ser classificado como “investment grade” pelas empresas de risco - o que permite que o país receba mais investimentos a um custo menor.

Ferreres disse que teme que o novo ministro da Fazenda adote medidas que prejudiquem essas iniciativas, aumentando o gasto público por ser este um ano eleitoral. Ele diz que ainda existem dúvidas se Mantega vai manter a taxa de câmbio, se vai continuar controlando a dívida e manter a atual política monetária.

Mas o principal, segundo Ferreres, é se o substituto de Palocci terá forças para dizer não e evitar o excesso de gastos públicos neste ano eleitoral”.

Na opinião do analista e de outros economistas do mercado financeiro argentino, somente nesta terça-feira ficará mais clara a reação dos investidores na Bolsa de Buenos Aires e nos outros países da regiao, já que a mudança foi anunciada quando os mercados já estavam fechados ou estavam quase fechando.


Colaborou: Marcia Carmo, de Buenos Aires

Rodrigo De RatoFMI
Nota do Fundo enfatiza 'conquistas do Brasil sob Palocci'.
Néstor KirchnerReação argentina
Governo Kirchner vê saída de Palocci com 'cautela'.
Fernando Henrique CardosoPalocci fora
Lula foi devagar como na saída de Dirceu, diz FHC.
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