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Indonésia desiste de contar número de mortos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo da Indonésia admitiu pela primeira vez que não tem condições de fornecer um número preciso do total de mortos na tragédia. O vice-presidente Yusuf Kalla disse à imprensa, em Banda Aceh, a capital da província de Aceh e área mais afetada pelo tsunami, que o número de vítimas fatais, hoje em 79.940, pode passar de 100 mil. Ele disse que o governo chegou a esta conclusão após fazer vôos de reconhecimento em locais inacessíveis da costa oeste da ilha de Sumatra, onde fica a província de Aceh. Agências de ajuda dizem que pode levar mais alguns dias para que eles consigam ter acesso a essas áreas. Do zero Segundo a agência de notícias Associated Press, as pessoas estão lutando nas ruas de Banda Aceh por pacotes de comida.
A escala da destruição é tamanha que as equipes de resgate não dão conta de recolher os corpos, que chegam aos rios e às praias de Banda Aceh, levados pela maré. Os soldados usam escavadeiras para abrir valas e enterrar os milhares de corpos, sem cerimônias funerárias. Autoridades americanas informaram que o primeiro avião com suprimentos de emergência chegou ao norte de Sumatra, na Indonésia, mas as equipes de resgate da província de Aceh, a região mais afetada, dizem que não têm como distribuí-los por causa do total colapso da infra-estrutura local. Um porta-voz do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em Aceh, John Budd, disse à BBC que a aeronave não chegou à província porque não pôde pousar no único aeroporto de Aceh que está em atividade. Segundo Budd, uma nova infra-estrutura terá de ser construída do zero para que meio milhão de pessoas tenham acesso a comida, água, abrigo e tratamento médico que precisam. Um porta-voz da Presidência, por sua vez, disse que o governo também está tendo dificuldades para ajudar as vítimas porque as suas bases militares foram destruídas.
A Indonésia, o país com o maior número de vítimas, anunciou que vai sediar um encontro internacional de doadores para a tragédia no dia 6 de janeiro. Ajuda paralisada O número total de mortos em conseqüência do maremoto que atingiu o sudeste da Ásia e o oeste da África no fim de semana já chegou a 124 mil. A ajuda internacional também está chegando lentamente às regiões da costa do Oceano Índico atingidas. Equipes de ajuda afirmam que a operação está sendo atrasada por graves problemas de distribuição. Vários países tiveram toda sua infra-estrutura devastada, estradas e pontes foram destruídas pelas enchentes. Nos aeroportos e centros de distribuição, estoques de suprimentos começaram a se acumular. O transporte de ajuda foi paralisado por causa de falta de helicópteros. Espera Equipes de ajuda estão tendo dificuldades para atingir as milhares de pessoas atingidas pelo tsunami. Segundo a ONU, as vítimas terão de esperar até mais três dias para receber a ajuda que precisam. A organização estima que cerca de 5 milhões de pessoas precisam de ajuda para sobreviver. O presidente americano, George W. Bush, anunciou que os Estados Unidos, a Austrália, o Japão e a Índia formaram uma coalizão para liderar os esforços de ajuda aos países atingidos. Governos internacionais prometeram mais de US$ 220 milhões em ajuda, dos quais US$ 35 milhões viriam dos Estados Unidos. Dois navios de guerra americanos com cerca de 15 mil soldados e aviões com suprimentos estão indo para as regiões atingidas. Água Um correspondente da BBC no Sri Lanka disse que biscoitos e garrafas de água estão sendo distribuídos no país, mas em quantidades muito abaixo do necessário. A ajuda estrangeira começou a chegar também no sul da Índia. Organizações não-governamentais estão distribuindo comida, roupas e cobertores. Mas sobreviventes no local reclamam da falta de suprimentos básicos. "Não há comida aqui. Nós precisamos de arroz. Nós precisamos de remédios. Eu não como há dois dias", disse uma mulher à agência de notícias Reuters. Andrew Harding, correspondente da BBC na cidade, diz que equipes de ajuda mal conseguem chegar ao local e que a água potável está escassa. Segundo ele, um aeroporto que funcionava na região e estradas que levavam a áreas remotas foram destruídos pelas ondas. Brasil Dados desencontrados das autoridades tailandesas estão dificultando a busca de informações sobre brasileiros na Tailândia. Segundo a Embaixada do Brasil no país, há dezenas de pessoas que viajaram para a Tailândia e não voltaram a entrar em contato com os parentes no Brasil depois do maremoto. Eles não aparecem na lista oficial tailandesa. A brasileira Joana Merlin-Scholtes está chefiando uma missão da ONU na Tailândia para coordenar a ajuda às vítimas das ondas gigantes. Foi na Tailândia, no balneário de Phuket, que a diplomata brasileira Lys Amayo de Benedek D'Ávola e seu filho foram mortos pelo maremoto. O marido de Lys, o italiano Antonio D'Ávola, que também estava no passeio, continua desaparecido. Pelo menos 50 famílias brasileiras telefonaram para a embaixada tentando encontrar parentes que viajaram de férias ao país. Cerca de cinco mil europeus estão desaparecidos. Presume-se que a maioria esteja morta. A catástrofe de domingo foi causada por um grande terremoto submarino (9 pontos na escala Richter), que gerou ondas gigantescas que varreram os litorais banhados pelo Oceano Índico. Os efeitos do terremoto, o quarto mais forte desde 1900, foram sentidos da Malásia até a África. |
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