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Brasileira conta por fotoblog e Orkut que sobreviveu ao maremoto no Sri Lanka | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As mensagens preocupadas começaram a pipocar na página do Orkut da jornalista capixaba Giulyanna Cipriano Loureiro assim que as primeiras notícias do maremoto correram o mundo. "Ô guria, fiquei sabendo agora do terremoto na Indonésia que resultou em ondas aí para o Sri Lanka..Tu ta bem?", escreveu seu amigo Pietro às 7h59 do domingo, quando poucos no Brasil de ressaca pós-Natal tinham tomado conhecimento da catástrofe. Do outro lado do mundo, na praia de Unawatuna, no Sri Lanka, Giulyanna despertava num susto, numa manhã diferente de todas as outras. "Eu estava dormindo quando ouvi um estrondo e vi muita água por debaixo da porta", contou ela à BBC Brasil. "Eu acordei e comecei a colocar as coisas em cima da cama. Quando eu olhei a janela, a água estava no nível da janela. Eu tentava abrir a porta e não conseguia." Via internet Giulyanna, de 25 anos, participa de um programa de intercâmbio cultural no país. Mantém contato com os amigos no Brasil pela internet: e-mail, MSN Messenger, a comunidade virtual Orkut e por meio de um blog de fotos. A aflição e o alívio dos amigos e familiares dela ficou documentado na rede de computadores. "Giu, dá notícias assim que for possível heim, a galera tá preocupada - eu tô super angustiada aqui!", escreveu a ela a amiga Flávia. "Diz que você tá viva porque as notícias dos jornais não são nada agradáveis! Espero que esteja tudo bem contigo!", ecoou outra amiga, Carla. No Sri Lanka, Giulyanna escapava por pouco: "Gritei o nome do dono da pousada desesperada e ele chutou a porta e abriu. A gente subiu para o segundo andar da pousada". "Até aí a gente não sabia se era um carro-pipa que tinha estourado. É difícil acreditar que tenha sido a água do mar."
Foi só quando conseguiu escapar da praia que Giulyanna teve dimensão da tragédia, que já matou mais de 20 mil pessoas na ilha. "Tive que andar uns três quilômetros pela costa antes de ir para a capital. E se viam corpos pelo chão, cachorros chorando, as pessoas não sabiam o que fazer." Alívio Assim que chegou a um lugar considerado seguro, Giulyanna pediu um celular emprestado a uma amiga e telefonou para o pai em Vitória (ES). Disse que estava bem e que não se preocupasse. Como a conversa foi muito rápida, o pai dela se preocupou e acionou a embaixada brasileira para procurá-la. No Brasil, amigo após amigo expressava a preocupação na página de Gyulianna. Alguns entraram em contato com o pai dela, souberam que ela estava bem e escreveram mensagens de alívio. Outros se aliviavam ao ler as mensagens anteriores. Tatiana tentou ajudá-la com um recado prático sobre uma eventual saída dela do Sri Lanka. "Conversamos com seu pai sobre dois vôos que o Itamarati está colocando à disposição para brasileiros que estão na Ásia. Se vc está pensando na possibilidade de voltar, entre em contato com a Embaixada." Foi só depois de chegar à capital Colombo e encontrar acesso à internet que Giulyanna pôde finalmente tranqüilizar a todos com mensagens no Orkut e em seu fotoblog. "Estou bem e sem nenhum arranhao. Ainda não vi notícias na TV, internet...vou fazer isso agora. Mando mais notícias assim q puder. E até agora não pensei em voltar. Nem por um vôo grátis...", escreveu ela no Orkut. "Estar aqui eh muito mais q isso. Meu santo eh forte e ta comigo. SEMPRE. e eu acredito muito neles todos. Q vcs tb fiquem com deus e rezem pra essa gente aqui...(vcs acreditam q eles ainda sorriem?)" Em seu fotoblog, Giulyanna também avisou a todos: "Amem. Estou bem. odoi-ya!". Cartão postal Um cartão postal, com o que foi um dia a praia de Unawatuna, com águas calmas e de azul cristalino, foi a imagem escolhida por ela. "Sri lanka: tsunami passou por aqui. (...) Essa era a praia em que eu estava. Por lá agora não tem mais azul...triste demais." Ela conta que as ondas e a destruição deixaram uma cicatriz profunda na população do Sri Lanka, "que deve levar três ou quatro gerações para esquecer o tsunami". "É complicado viver numa ilha com medo do mar." |
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