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Maré ainda despeja corpos nas praias da Indonésia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A maré continua despejando corpos nas praias e nos rios da cidade de Banda Aceh, a capital da província de Aceh, a região da Indonésia mais próxima ao epicentro do terremoto de domingo e a mais afetada pelo maremoto. De acordo com o chefe do serviço de Saúde da cidade, Mulya Hasmi, só na manhã desta quinta-feira, centenas de corpos apareceram no rio que corta a cidade. O trabalho dos grupos de resgate e de ajuda humanitária é atrapalhado pelo isolamento, destruição da infra-estrutura e falta de recursos - entre eles, água potável. "O sistema de saúde local não é capaz de dar conta da situação porque muitos médicos estão mortos ou traumatizados pela perda de familiares", disse Mulya Hasmi.
Segundo correspondentes da BBC na cidade, há informações de que doenças infecciosas já começaram a se espalhar. Muitas pessoas ainda chegam de regiões mais remotas à cidade com feridas já infeccionadas. "Há pouquíssima comida disponível, pouca água, nenhuma eletricidade. Quase não há gasolina. Os voluntários precisam ser auto-suficientes", disse George Paterson, representante da Organização Mundial da Saúde para a Indonésia. "É uma situação muito difícil para governos, para ONGs e para a ONU." Emil Agostiono, um porta-voz do governo indonésio, disse à BBC que será necessário pelo menos um mês antes que o acesso às estradas do país seja totalmente restaurado. Segundo Doti Indrasanta, chefe das operações de ajuda do Ministério da Saúde, a ajuda só pode chegar à cidade por ar ou pelo mar. O aeroporto da cidade é pequeno, e a província dispõe de apenas dois helicópteros. "Nós estamos jogando os suprimentos de avião", diz Agostiono. Vala comum Soldados do Exército estão usando escavadeiras para abrir valas e enterrar os milhares de corpos, sem cerimônias funerárias. Mesmo assim o trabalho é lento e os corpos continuam a se acumular nas ruas. Segundo um correspondente da BBC, debaixo de apenas uma ponte cerca de mil cadáveres estão acumulados. Como a Província de Aceh é palco de um guerra civil, havia poucas agências humanitárias atuando na região. O número de mortos estimados na província é 80 mil, mas o governo já declarou que esse número pode superar 100 mil quando houver informações sobre as regiões mais remotas. No norte da ilha de Sumatra, a província de Aceh tem cerca de 4,5 milhões de habitantes. |
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