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Atualizado às: 24 de setembro, 2004 - 19h10 GMT (16h10 Brasília)
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ONU critica idéia de eleições 'limitadas' no Iraque
Violência no Iraque
A violência é um problema diário em grande parte do Iraque
O chefe da equipe da ONU que organiza as eleições no Iraque, Carlos Valenzuela, criticou o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, por sugerir que nem todos os iraquianos vão poder votar.

De acordo com Valenzuela, esse tipo de especulação não ajuda em nada e pode fazer com que as pessoas se sintam excluídas do processo eleitoral.

Rumsfeld cogitou a possibilidade da votação, marcada para janeiro, não ocorrer nas áreas mais afetadas pela violência.

Na quinta-feira, no entanto, líderes iraquianos e americanos rejeitaram a idéia de adiar as eleições.

Cruciais

O primeiro-ministro interino do Iraque, Iyad Allawi, disse que vai pedir uma explicação junto ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, sobre a atitude dele em relação ao pleito.

Os dois se encontrariam na sede da ONU nesta sexta-feira. Em uma entrevista recente à BBC, Annan sugeriu ter dúvidas sobre a viabilidade das eleições.

"Você não pode ter eleições de credibilidade se as condições de segurança continuarem como estão”, disse Allawi.

As eleições são vistas como cruciais na estratégia do governo interino de transferir aos iraquianos o controle do país e diminuir a presença militar americana.

Excluídos

Valenzuela, que ajudou a organizar eleições em outros países como Timor Leste e Camboja logo depois de conflitos, disse acreditar que as eleições podem ir em frente.

"A situação é muito complicada, mas acreditamos que seja viável", afirmou. "Temos um prazo muito apertado, que estamos seguindo, e todos os preparativos estão sendo feitos."

Valenzuela disse que a comissão eleitoral acredita que "não ajuda que pessoas estejam cogitando se determinadas partes do país vão conseguir ou não participar das eleições, ou se o pleito vai ser legítimo ou não."

"Essa especulação pode fazer com que as pessoas se sintam excluídas do processo", comentou o chefe da equipe da ONU.

A correspondente da BBC em Bagdá, Karen Allen, diz que analistas políticos temem que eleições envolvendo apenas parte da população inflame ainda mais os militantes rebeldes.

Rumsfeld levantou a possibilidade de eleições parciais na quinta-feira, em uma sessão do Comitê de Serviços das Forças Armadas americanas.

"Digamos que você tente realizar eleições e só seja possível realizá-las em três quartos ou quatro quintos do país, mas em certos lugares você não pode por que exista muita violência", disse Valenzuela. "Que seja, nada na vida é perfeito, que tenhamos uma eleição imperfeita. É melhor do que não termos eleição, não?"

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