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Gorbachev sugere força de paz árabe para o Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-líder soviético Mikhail Gorbachev sugeriu nesta quinta-feira, em Londres, a criação de uma força de paz dos países árabes para pacificar e reconstruir o Iraque. Gorbachev disse que a saída para a crise atual no Iraque é transferir efetivamente a soberania do país aos iraquianos e envolver o Conselho de Segurança da ONU na nomeação de uma força de paz árabe. "É importante não expulsar os americanos de lá, e sim envolvê-los no processo", observou o ex-presidente, em passagem por Londres para lançar a campanha Come Clean, um projeto internacional de registro de armas de destruição em massa. Segundo Gorbachev, a guerra no Iraque foi um erro, sem justificativa, sem aprovação da ONU, e abalou princípios democráticos porque o público mundial demonstrou que estava contra a intervenção militar no país. "Meios políticos e diplomáticos não foram usados, quando poderiam até ter conseguido remover Saddam Hussein e mudar o regime", disse. Chechênia Defensor habitual do presidente Vladimir Putin, sobretudo na repressão aos oligarcas e grupos privilegiados criados pelo antecessor Boris Yeltsin, Gorbachev afirmou que o atual líder russo segue uma política dura, mas correta em relação à Chechênia.
De acordo com Gorbachev, "há grupos decididos a instalar uma república islâmica" na Chechênia. O ex-líder soviético fez restrições, no entanto, às reformas políticas recém-anunciadas por Putin, que planeja assumir o poder de nomear governadores e restringir o método de votação para a Duma – o Parlamento russo. "Mudanças desse tipo precisam ser debatidas pela sociedade russa primeiro", disse o último líder da União Soviética. Doutrina americana Sem citar nomes, mas em clara referência ao governo de George W. Bush nos Estados Unidos, Gorbachev criticou mudanças "cínicas" na doutrina militar americana.
"Quando o presidente (Ronald) Reagan e eu nos reunimos pela primeira vez, em Genebra, no inverno de 1985, declaramos que uma guerra nuclear nunca poderia ter um vencedor e nunca deveria ocorrer", recorda. "Precisamos permanecer atentos a esse princípio. Se deixarmos armas nucleares se espalharem, as consequências serão desastrosas", afirma o ex-líder soviético. Gorbachev não citou diretamente as eleições americanas, nem a chamada Doutrina Bush, que admite guerra preventiva e até uso de armas nucleares, mas observou que "quem aceita o uso dessas armas não deveria concorrer a presidente ou primeiro-ministro". Ainda segundo o líder russo, "algumas pessoas tentam demonstrar coragem e determinação, mas acabam demonstrando confusão". Terrorismo Quanto à luta contra o chamado terrorismo internacional, Gorbachev observou que as iniciativas devem ocorrer por métodos tradicionais, também sob aprovação da ONU. O ex-líder soviético diz que é preciso dar atenção especial às transações financeiras que permitem sustentar os terroristas. Gorbachev também apontou a necessidade da colaboração de líderes religiosos para combater extremismos e fundamentalismos que possam resultar em uma guerra religiosa. "Não devemos nos referir à luta antiterrorista como uma guerra, porque a noção de guerra pressupõe regras diferentes, com limitações aos direitos civis, e esse não é o caminho", concluiu Gorbachev. |
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