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Atualizado às: 01 de julho, 2004 - 02h43 GMT (23h43 Brasília)
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Reforço no embargo divide cubanos em Miami

Cubanos barrados no aeroporto de Miami
Cubano-americanos só poderão viajar a Cuba uma vez a cada três anos
A adoção de novas regras que reforçam o embargo americano a Cuba, que entraram em vigor nesta quarta-feira, dividiu a comunidade cubana de Miami – uma cidade em que os imigrantes do país são tão numerosos que há até um bairro chamado Pequena Havana.

Segundo o Departamento de Estado, as medidas adotadas – entre elas maiores restrições ao envio de dinheiro e encomendas e às viagens à ilha – visam pressionar o governo de Fidel Castro a adotar reformas democratizantes.

Mas, para vários líderes cubano-americanos, algumas das medidas prejudicam mais os membros da comunidade do que o regime castrista.

"(O pacote de medidas) Impede que as famílias possam ficar em contato, que é um dos direitos universais que todos defendemos. Há alternativas para castigar o regime", disse Ramón Saúl Sánchez, um dos líderes do Movimento pela Democracia Cubana, uma organização de dissidentes de Miami.

Sacrifício

As novas medidas começaram a ser sentidas já na terça-feira, quando muitos cubanos que foram enviar mercadorias a seus familiares usando serviços de agências em Pequena Havana não conseguiram fazê-lo.

Também alguns vôos que estavam partindo rumo a Havana não receberam autorização do governo americano para partir, provocando protestos no aeroporto da cidade.

Raúl Sánchez disse que o governo americano deveria se preocupar com o fato de o regime cubano estar tirando proveito de empresas baseadas nos Estados Unidos, que estariam ajudando a perpetuar a ditadura.

Algumas medidas que passaram a vigorar nesta quarta-feira
Restrições ao envio de dinheiro e encomendas
Visitas de cubano-americanos à ilha só a cada três anos e por 14 dias
Restrição de US$ 50 em gastos diários de cubano-americanos durante visitas à ilha
Mais financiamento e apoio político a dissidentes
Investimento na transmissão de TV independente para a ilha

“Não há uma justificativa para que um cubano que está aqui não possa mais enviar um sabonete a sua família, e uma indústria americana venda a Cuba o papel com o qual é impresso o jornal estatal Granma”, disse ele.

Sylvia Irriondo, da organização Mães contra a Repressão, vê com mais simpatia as medidas do governo Bush.

”A maioria da comunidade cubana está disposta a fazer esse sacrifício com o objetivo de acabar, de uma vez e para sempre, com o sistema que é responsável pela tragédia cubana.”, disse.

Má-fé

Sylvia, no entanto, acha que é preciso fazer uma distinção entre as pessoas que realmente precisam viajar a Cuba ou enviar dinheiro e mercadorias ao país por razões humanitárias e outros que estariam tirando proveito dessa possibilidade.

Segundo ela, há pessoas que viajam “cinco, seis, sete vezes a Cuba, ilegalmente, levando dinheiro e dando recursos ao regime castrista”.

 As pessoas que dizem que têm familiares em Cuba (...), por que não ficaram em Cuba? Por que não pensaram antes de vir para cá?
Andrés González, cubano de Miami

Uma das mudanças que passou a vigorar nesta quarta-feira é que, agora, os cubano-americanos que quiserem visitar a ilha só poderão fazê-lo uma vez a cada três anos, e só por um período de, no máximo,14 dias.

Os supostos “abusos” de alguns cubano-americanos são um dos argumentos que sustentam o apoio às medidas no seio da comunidade em Miami.

Andrés González, um ex-prisioneiro político cubano que está em Miami há 18 anos, apoia com grande entusiasmo as medidas, dizendo que não acredita na boa-fé das pessoas que reclamam o direito de ir a Cuba.

“As pessoas que dizem que têm familiares em Cuba (...), por que não ficaram em Cuba? Por que não pensaram antes de vir para cá?”, questionou.

“Tudo isso é conveniência das agências de viagem e negócios que o governo cubano tem aqui nos Estados Unidos, e agora eles vão sentir isso no bolso.”


*Colaborou Roger Santodomingo

Fidel CastroEmbargo
Novas medidas contra Cuba podem prejudicar os EUA.
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