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Suspensão de vôos causa protesto de cubanos em Miami | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Centenas de pessoas de origem cubana protestaram nesta terça-feira no aeroporto de Miami, depois que os vôos para os quais haviam comprado passagem, com destino a Cuba, foram suspensos. As empresas aéreas foram obrigadas a cancelar os vôos depois que o governo americano se negou a dar autorização para as jornadas, às vésperas da entrada em vigor de novas medidas com o objetivo de reforçar o embargo americano imposto à ilha. Entre as mudanças que entram em vigor nesta quarta-feira está o aumento nas restrições às viagens de cubanos radicados nos Estados Unidos à ilha, e também limitações no envio de mercadorias e dinheiro. A adoção das medidas mais rigorosas está dividindo a numerosa comunidade cubana em Miami. Enquanto muitos acreditam que elas são necessárias para pressionar o regime de Fidel Castro a adotar reformas democratizantes, outros acham que as mudanças punem o povo do país, não o governo de Havana. Sem coração Oficialmente, cerca de 1,2 milhão de cubanos vivem exilados nos Estados Unidos, a maioria deles na Flórida, e o impacto econômico dessa comunidade – por meio de remessas de dinheiro, por exemplo - é considerado importantíssimo para Cuba. No coração do mais tradicional bairro cubano de Miami, Little Havana, Alberto Delgado reclamou muito depois de não ter conseguido enviar uma encomenda a Cuba a partir de uma agência especializada, como vinha fazendo de costume. “Não concordo com as medidas”, disse. “Porque quem sofre com isso é a população cubana. O governo tem tudo.” “Tenho obrigações com minha família e como vou mandar? De que maneira? Essa pode ser a lei mais arbitrária que já puseram neste governo”, disse. Delgado também falou com preocupação das novas regras para viagens de cubanos à ilha – que, a partir desta quarta-feira, só poderão ser feitas uma vez a cada três anos e por um período de no máximo 14 dias. ”Essas (as pessoas que concordam com as mudanças) são pessoas sem coração, sem sentimentos, que não têm família em Cuba, que somente vivem para isso. Mas eu que tenho minhas duas filhas, minha mãe, meus irmãos, como posso estar de acordo?”, disse. Prejuízo Debora Reyes, funcionária da agência de turismo BAC Travel and Tourism, disse que sua empresa parou de vender passagens para Cuba até que os funcionários entendam direito todas as regras que estão entrando em vigor.
Ela explicou que as alterações vão afetar bastante os negócios na agência que, até agora, depende das vendas de passagens justamente para Cuba. “Estamos falando de uma queda de 80% (nas vendas), possivelmente, ou mais”, calculou. “Vai afetar gravemente. Porque no verão muitas pessoas viajavam, muitas crianças viajavam a Cuba para passar as férias com os familiares, e agora não vai dar.” Politização Joe Garcia, diretor-executivo da Fundação Nacional Cubano-Americana – uma das principais associações de dissidentes políticos em Miami – elogiou algumas das medidas que estão sendo adotadas. “Estou de acordo com a maior parte das medidas tomadas pela Casa Branca, entre elas mais ajuda para a dissidência e a sociedade civil em Cuba”, disse ele, ressaltando a necessidade de combater o regime castrista. “O que não aceitamos são as restrições às viagens de familiares e as restrições do que se possa enviar a Cuba. Acho que esse foi um mau conselho que recebeu a Casa Branca.” ”A curto prazo, as medidas positivas vão ajudar a dissidência, que precisa de ajuda”, continuou, explicando que não concorda com as restrições às viagens porque isso prejudica do debate sobre a questão cubana. “Eu acho que isso (as restrições a viagens) nos desvia do debate mais importante: Fidel Castro contra seu povo, contra os dissidentes. E volta o debate velho, já gasto: Estados Unidos contra Castro, que só beneficia a Castro, porque aí temos David contra Golias e é o (David) que Castro sempre quer encarnar.” |
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