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Atualizado às: 30 de junho, 2004 - 18h17 GMT (15h17 Brasília)
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Novo embargo contra Cuba pode prejudicar EUA

Fidel Castro
Embargo pode fortalecer dirigente cubano em vez de derrubá-lo
O embargo comercial dos Estados Unidos contra Cuba sempre teve tanta conexão com a política como com a economia.

A lógica do embargo é privar o regime de Fidel Castro de dólares provenientes do turismo e do comércio, aumentando a pressão sobre seu regime e apressando sua queda.

A partir desta quarta-feira, o embargo será reforçado ainda mais. A administração Bush determinou que cubano-americanos só poderão visitar Cuba uma vez a cada três anos, em vez de anualmente.

Ao chegaram a Cuba, seu limite de gastos diários será de US$ 50 - antes o máximo permitido era de US$ 167.

Eles também serão obrigados a requerer uma licença especial, pela qual só poderão visitar membros de suas famílias.

'Beijo da morte'

Também foram reduzidos os limites permitidos para envio de dinheiro dos Estados Unidos para Cuba.

A administração Bush está também intensificando seus gastos em táticas de propaganda anti-Castro, como ampliar o alcance de sinais de rádio e televisão transmitidos de Miami e contrários ao regime cubano, além de aumentar a verba doada a grupos dissidentes no exílio.

Isso irá funcionar? O jornal Los Angeles Times acredita que não. "Oferecer US$ 36 milhões a dissidentes cubanos é o mesmo que lhes dar o beijo da morte", afirmou o jornal.

"Castro vai completar 78 anos em agosto. Em janeiro de 2005, completará seu 46º ano na presidência. Um total de dez presidentes americanos tentaram derrubá-lo e fracassaram."

"A atual administração está de mãos atadas no que diz respeito a dinheiro, já que precisa de verbas para manter terroristas fora do país e para conduzir a guerra no Iraque. E deveria ao menos impedir a sangria dos dólares pagos pelos contribuintes em operaçõse que oferecem tão pouco retorno", afirmou o jornal.

A crença comum nos Estados Unidos é de que quanto mais linha-dura os Estados Unidos se tornam com Fidel Castro, melhor a imagem do governo americano na Flórida - um Estado onde Washington precisa que suas políticas sejam bem aceitas.

Influência de cubanos-americanos

É verdade que há um grupo de influentes exilados cubanos nos círculos eepublicanos que fazem lobby por restrições cada vez mais duras em relação a turismo e comércio com a ilha de Cuba.

Mas há também um grupo mais jovem que não defende posições tão rígidas. Certamente eles não gostam de Castro, mas prezam o contato com suas famílias em Cuba.

Muitos cubano-americanos estão indignados com as novas restrições. Agentes de viagem estão remanejando viagens já previstas, antes que as medidas entrem em vigor.

As mudanças foram tão súbitas que alguns viajantes poderão se ver em Cuba com documentos antigos e impossibilitados de sair do país.

Muitos têm se queixado na Flórida de que têm parentes doentes em Cuba e precisam vê-los mais do que uma vez a cada três anos.

Isso poderá não ser o suficiente para fazer com que cubanos-americanos sigam em peso para as urnas eleitorais a fim de votarem em John Kerry, mas poderá fazer com que alguns deixem de votar em George W. Bush.

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