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Atualizado às: 14 de maio, 2004 - 23h28 GMT (20h28 Brasília)
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Cubanos protestam contra sanções dos EUA

Cubanos realizando protesto em Havana
Cubanos realizando protesto em Havana
Mais de um milhão de pessoas, segundos os organizadores, participaram de uma passeata nesta sexta-feira em frente à representação diplomática dos Estados Unidos na capital de Cuba, Havana.
A marcha, convocada para protestar contra as recentes medidas econômicas adotadas pelas autoridades americanas contra o regime de Cuba, começou com um discurso de Fidel Castro.

O líder cubano leu uma carta dirigida ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em que fez críticas pesadas ao presidente americano, ainda que tenha dito, em duas ocasiões, que não pretendia ofendê-lo.

“O senhor não tem moral nem direito algum a falar de liberdade, democracia e direitos humanos”, disse Fidel se dirigindo a Bush, “(porque) está destruíndo a ONU e violando os direitos de qualquer país”.

Além disso, ele acrescentou que Bush não pode falar de democracia porque “sua ascenção à Presidência dos Estados Unidos, como todo mundo sabe, foi fraudulenta”, e acusou o mandatário americano de estar rodeado de assessores com antecedentes terroristas.

Estabilidade política

A passeata foi a maior realizada na ilha desde o retorno ao país, em 2003, do menino Elián González - pivô de uma disputa entre seus familiares em Cuba e em Miami.

Desde essa época, nenhum outro assunto conseguiu reunir tanta unanimidade dentro da ilha.

Mesmo dissidentes políticos como Elizardo Sánchez, da Comissão de Direitos Humanos de Cuba, e Osvaldo Payá, do projeto Varela – que pressiona o governo cubana por mudanças no regime – criticaram as medidas impostas por Washington, dizendo que são uma interferência nos assuntos internos cubanos.

De uma forma ou de outra, a limitação às remessas de dinheiro e às viagens de cubano-americanos à ilha, anunciadas por Bush, afetará a maior parte da população.

Alternativas

O governo cubano parece entender isso claramente e estar querendo aproveitas as implicações políticas da decisão americana. Essa passeata foi uma amostra o que se pode esperar na ilha durante os próximos meses.

As medidas mais polêmicas são a limitação de envio de dinheiro dos Estados Unidos para a ilha e a redução das viagens de cubano-americanos dos Estados Unidos para Cuba para uma a cada três anos e apenas para aqueles que têm familiares em Cuba.

As medidas vão afetar a economia cubana, que recebia mais de US$ 800 milhões em remessas familiares. A maior parte delas, 90%, chegava por meio dos cubanos que voltavam à ilha para visitá-la.

O efeito vai ser sentido especialmente durante os primeiros meses, a não ser que os cubanos encontrem rotas alternativas para chegar a Cuba, passando por outros países, ou enviarem dinheiro por diferentes canais.

Efeito psicológico

O governo cubano se prepara para esses meses fazendo um inventário da quantidade de dólares que existe na ilha e também possívelmente aumentará os preços das roupas, eletrodomésticos e combustíveis.

As autoridades também anunciaram medidas em resposta às sanções americanas.

O clima de confrontação se faz sentir mais uma vez, com frases como “não voltaremos a ser colônia dos Estados Unidos”, ou “estamos dispostos a morrer”, sendo escutadas pelas esquinas de Havana.

A imprensa estrangeira vem sendo confrontada pela população que os acusa de “mostrar apenas o que acontece de ruim em Cuba” e nos pergunta “porque não vão ao Iraque, onde os americanos estão matando gente?”.

Trata-se de uma espécie de “mentalidade de local sitiado”, em que, sofrendo pressões externas e encorajados pela propaganda oficial, todos se unem contra as diferenças.

O próprio Fidel Castro lamentou que, em caso de guerra, ele não deve chegar a ficar frente a frente com Bush, pressupondo que o presidente americano se encontrará muito distante, mas ressaltou que estará "na linha de frente para morrer combatendo na defesa da minha pátria”.

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