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Líder rebelde defende negociação de paz na Colômbia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O líder do segundo maior grupo guerrilheiro colombiano, Francisco Galán, defendeu nesta sexta-feira o início de uma negociação de paz entre o governo e sua organização, o Exército de Libertação Nacional (ELN). Na sede do Congresso colombiano, o líder guerrilheiro, que está preso, leu um comunicado do comando central do ELN pedindo uma solução pacífica para o conflito interno que já dura quatro décadas. “Propomos um acordo humanitário com o governo, prevendo a limitação do uso de minas terrestres e artefatos explosivos, anistia geral para os presos políticos e prisioneiros de guerra e um cessar-fogo bilateral e temporário”, disse Galán. “Acreditamos que este acordo, em seu conjunto, pode abrir espaço à solução política com a qual todos os colombianos sonham.” Prisão Galán, capturado em 1992, foi autorizado pelo governo a sair durante 24 horas da prisão de Itagüi, no Estado de Antióquia, para participar de reuniões com o vice-presidente, Francisco Santos, e o embaixador do México na Colômbia, Mario Chacón. A possibilidade de um eventual progresso de negociação com o ELN surgiu no último final de semana no México, quando o presidente Álvaro Uribe disse que poderia negociar com o grupo sem a necessidade de os guerrilheiros abandonarem as armas. Uribe afirmou que o único requisito seria a decretação de um cessar-fogo, contando com a verificação do governo mexicano. O vice-presidente, Francisco Santos, disse por sua vez que o governo pretende responder com generosidade a um eventual cessar-fogo do ELN. De acordo com ele, serão feitos todos os esforços para dar garantias a todos que queiram abandonar o caminho da violência. Exigências Na avaliação do analista político León Valéncia, a possibilidade de uma negociação de paz seria interessante tanto para o governo, quanto para a guerrilha. “O ELN diminuiu muito sua capacidade militar nos últimos anos e hoje se encontra isolado da sociedade civil e da comunidade internacional”, afirmou Valéncia, um ex-guerrilheiro que abandonou o ELN em 1991. “Para o governo, este processo é muito interessante, porque ele sente dificuldades de impulsionar negociações de paz apenas com os paramilitares.” Segundo Valéncia, Uribe se deu conta de que muitas das exigências feitas no início de seu mandato para dialogar com estes grupos afastavam qualquer possibilidade de diálogo. De acordo com ele, se estas negociações derem certo, é possível que influenciem uma eventual aproximação entre o governo e a maior guerrilha existente no país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “Neste momento, não existe qualquer possibilidade de reconciliação”, assinalou Valéncia. Surpresa O analista ficou surpreso com a proposta do ELN. Ele lembra que o grupo sempre manifestou uma posição inflexível com relação ao governo Uribe, considerado por eles como defensor da guerra. Ao mesmo tempo, havia anunciado uma aproximação com as Farc, para se fortalecer militarmente. Conforme Valéncia, a posição do ELN é de indecisão, porque seguem trabalhando com as Farc e, ao mesmo tempo, querem negociar com o governo. Otty Patiño, ex-guerrilheiro do extinto grupo M-19, elogiou a iniciativa do ELN. Para ele, a solução negociada segue sendo o único caminho para o país. Ele recomenda que nenhuma das partes tome uma posição precipitada, mas que atuem com real vontade de chegar a um acordo político. |
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