|
Morte de amigo de Marulanda marcou nascimento das Farc | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na pequena Gaitania, no sul do estado de Tolima, Pedro Ardila lembra o momento em que começou a mais longa guerra colombiana. Ele estava ao lado de Manuel Marulanda, o principal líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), quando um dos melhores amigos do guerrilheiro foi assassinado pelas autoridades militares. “Marulanda estava comendo um pedaço de galinha quando foi avisado da morte de Jacobo Alape, seu amigo inseparável”, recorda o aposentado de 85 anos. “Foi com a voz embargada, sem poder engolir e com os olhos cheios de lágrimas que ele disse: mataram a ovelha, mas, agora fica o tigre”. Massacre Encabeçando 18 mil homens armados, Marulanda comemora hoje os 40 anos de existência das Farc, a guerrilha mais antiga, rica e poderosa da América Latina. Foi na extensa região de Marquetália, onde está o vilarejo de Gaitania, que as Farc nasceram oficialmente. A data marca o violento ataque de 16 mil soldados contra os 48 camponeses comunistas, vítimas da violência militar, que se encontravam entrincheirados. Neste grupo estava Marulanda, pseudônimo de Pedro Antonio Marin, também conhecido como Tiro Fijo, devido à sua boa pontaria. Hoje, na região de Marquetália, apenas sete idosos que presenciaram o nascimento das Farc ainda estão vivos. Temor Como Pedro Ardila, têm muitas histórias para contar sobre os acontecimentos que marcaram para sempre a vida da Colômbia. Cesário Diaz, de 75 anos, teme ainda hoje sofrer algum tipo de represália se contar detalhes sobre o que ocorreu há 40 anos. Apenas recorda com nostalgia a infância e a adolescência passada ao lado de Marulanda, um dos últimos grandes líderes guerrilheiros ainda em atividade no mundo. O aposentado, de 75 anos, diz que Marulanda era educado e estudioso. Eles se conheceram quando Diaz tinha apenas sete anos, estudaram na mesma escola e jogaram bolinha de gude na rua juntos. “Desde que os militares tentaram acabar com o grupo de Marulanda em Marquetália nunca mais nos encontramos”, afirma Diaz. “Eles eram poucos. Hoje, sim, Marulanda tem um grupo grande”. Diaz lembra da história de uma mulher, conhecida como La Mona, que se infiltrou no grupo de Marulanda para tentar matá-lo. De acordo com ele, a mulher era uma espiã do governo, que tinha a tarefa de envenenar o guerrilheiro. “Um dia perguntei pela La Mona e ele me disse que a teria posto para semear milho em sua fazenda”, lembra. “O que ele queria dizer na verdade é que a teria matado e enterrado”. Segundo o aposentado, Marulanda sempre foi muito esperto. Talvez por isso, ainda esteja vivo, apesar de o governo e a imprensa colombiana já o terem matado em 17 ocasiões. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||