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Uribe é criticado por negociações com ELN
A determinação do presidente da Colômbia Álvaro Uribe de iniciar negociações de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN) tem gerado polêmica no país. Alguns analistas afirmam que o governo apresentou uma proposta vaga de diálogo em resposta às fortes pressões internacionais para o ELN libertar os sete turistas estrangeiros seqüestrados no mês passado em Santa Marta. Outros acreditam que a oferta de Uribe não é séria. Trata-se de uma jogada, em resposta àqueles que o criticam por ser generoso demais apenas com os paramilitares nas negociações com o governo. Já os familiares dos colombianos seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) reclamam de discriminação. Afirmam que o presidente deveria buscar a liberação dos colombianos com o mesmo interesse que tem no caso dos estrangeiros. Farc "Gostaria que o presidente mantivesse o mesmo entusiasmo para negociar com as Farc a liberdade dos nossos parentes", disse o ex-governador Jaime Losada, que tem a esposa, a congressista Gloria Polanco, e dois filhos no cativeiro das Farc desde junho de 2001. A mesma reclamação faz o partido da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc há quase 20 meses. "Não entendemos por que esforços similares e criações de comissões de aproximação por parte do governo e da Igreja Católica não são feitos para resolver o problema quando se trata de nossos seqüestrados colombianos", disse um comunicado do partido Verde Oxigênio. Segundo Antonio Sanguino, ex-guerrilheiro do ELN, reintroduzido à sociedade em 94 em uma negociação de paz com o governo, a pressão internacional teve um papel muito forte na mudança de posição do governo. Mas o fato de o ELN ser uma guerrilha mais disposta à negociação deve ter sido preponderante. "As Farc também contam com três americanos em seu poder. Mas já afirmaram várias vezes que eles somente serão libertados em troca da liberdade de guerrilheiros presos", assinala Sanguino. "O ELN não considera a troca tão imprescindível para liberar seus seqüestrados." Na avaliação do cientista político Mauricio Romero, o seqüestro dos turistas estrangeiros teve impacto negativo à imagem internacional da política de segurança do presidente Uribe. De acordo com ele, os anúncios oficiais apontam êxito no primeiro ano deste governo com a redução dos índices de violência. Entretanto, incidentes como este seqüestro massivo fazem com que o governo perca um pouco o otimismo e aposte em uma negociação. "O governo optou desde o início por uma ação de confrontação militar. Mas aos poucos percebeu os limites dessa estratégia com as guerrilhas", disse Sanguino. "Essa decisão de negociar com o ELN significa um passo do governo no sentido de ir configurando uma política mais integral." Grupos Ao criticar o atentado que ocorreu no início da manhã desta quarta-feira em Bogotá, matando seis pessoas, Sanguino disse que o governo precisa estabelecer urgentemente canais de negociação com todos os grupos armados ilegais. De acordo com ele, só assim sera possível evitar a violência. O diretor do jornal comunista Voz, Carlos Lozano, afirma que a real intenção de Uribe é ganhar espaço para negociar com os paramilitares, buscar rupturas entre as Farc e o ELN e tentar dividir internamente o ELN entre uma ala política e outra militar. Lozano estranha a nova postura do governo, já que as duas guerrilhas informaram há dois meses que estavam trabalhando juntas. Ele também lembra os inúmeros discursos de membros do governo, afirmando que o ELN teria sido captado pelas Farc. O analista Otty Patiño não acredita na possibilidade de que seja feito um acordo para trocar os turistas por guerrilheiros do ELN presos. "O goveno não pode dar um tratamento diferente para as Farc e outro para o ELN", disse Patiño. "Até mesmo porque o próprio ELN ainda não disse se quer essa troca, e o governo já afirmou em inúmeras ocasiões que não aceita a proposta das Farc". Há duas semanas, Uribe disse que inciaria uma negociação com o ELN se eles liberassem os turistas seqüestrados. Também prometeu libertar os dois porta-vozes da guerrilha, Felipe Torres e Francisco Galán, presos há mais de dez anos. Felipe Torres saiu da prisão na quarta-feira depois de sua liberdade condicional ter sido determinada pela Justiça colombiana por ele ter cumprido três quintos da pena. "O governo já sabia da situação jurídica de Torres e apostou que esta liberação por pena cumprida poderia se transformar em uma oportunidade para a paz", afirmou Sanguino. "Acredito que essa oferta seja saudável. Tanto Torres como Galán podem se converter em promotores da paz." Ao saber da confirmação da saída de Torres da prisão, Uribe disse que a proposta seria mantida para Galán. Os dois porta-vozes guerrilheiros avisaram, no entanto, por meio de um comunicado divulgado na página do ELN na internet, que não renunciam ao projeto revolucionário da segunda maior guerrilha em ação na Colômbia. Mas que se colocariam à disposição para buscar a paz e o caminho apropriado para resolver os problemas dos colombianos. Segundo Carlos Eduardo Jaramillo, ex-conselheiro presidencial, como não existe conexão entre a oferta de Uribe e a liberdade de Torres é possível que o processo com o ELN não ocorra. De acordo com ele, se o ELN considerar os turistas "trocáveis", como propõem as Farc com seus seqüestrados, uma eventual negociação com o governo somente ocorreira a longo prazo. |
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