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Falhas no Iraque e pressão interna são apontadas como motivos da renúncia de Tenet | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor-geral da CIA (agência de inteligência americana), George Tenet, alegou motivos pessoais para renunciar ao cargo. Apesar de não esperarem a renúncia do cargo no momento, analistas já previam que Tenet renunciasse após as eleições dos Estados Unidos, em novembro. Segundo o correspondente da BBC em Washington Rob Watson, um dos motivos de a renúncia ter acontecido agora foi a pressão dos republicanos. Muitos acreditam que ele não deveria ter continuado no cargo após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. De acordo com Watson, a declaração da CIA de que o Iraque possuía armas de destruição em massa só aumentou a ira dos republicanos contra Tenet. Outro motivo da renúncia pode ter sido o atual conflito entre a CIA e Ahmed Chalabi, ex-aliado americano no Iraque. Segundo boatos em Washington, amigos de Chalabi temem que a campanha da CIA para desacreditar Chalabi possa atingi-los. Críticas No posto há sete anos, Tenet exerceu o cargo sob o governo de Bill Clinton, um presidente democrata, e de George W. Bush, um republicano. As críticas contra sua administração começaram devido à falha da CIA em impedir os ataques de 11 de setembro. Vários dos integrantes da comissão independente que investiga os ataques criticaram o "completo fracasso da inteligência antes dos ataques", nos quais quase 3 mil pessoas morreram. No mês de abril, em depoimento à comissão, Tenet admitiu que erros cometidos pelos serviços de inteligência permitiram que os ataques acontecessem nos Estados Unidos. Ele disse que apesar da estratégia correta ter sido adotada com relação à rede Al-Qaeda, o plano específico não foi descoberto. "Não conseguimos descobrir a natureza específica do plano", afirmou. Iraque Apesar de, depois dos ataques, Tenet ter sido apontado como o responsável pelo papel da CIA na queda do regime Talebã no Afeganistão, ele novamente foi alvo de críticas devido à guerra do Iraque. Antes da guerra, a CIA declarou que o Iraque possuía armas de destruição em massa. Mas o ex-inspetor americano David Kay disse que as informações dos serviços de inteligência sobre o Iraque estavam equivocadas, o que aumentou a pressão para que o governo americano prestasse contas sobre a sua decisão de ir à guerra contra o Iraque. Tenet chegou a dizer que, apesar de os analistas da CIA terem acertado sobre o programa de mísseis do Iraque, eles podem ter "superestimado o progresso que Saddam estava fazendo" no que diz respeito a materiais nucleares. Tenet também insistiu que os serviços de inteligência americanos nunca disseram que Saddam Hussein era uma "ameaça iminente". Em fevereiro, durante discurso na Universidade de Georgetown, em Washington, Tenet negou que a agência tenha sido pressionada a exagerar a ameaça representada pelo suposto programa de armas de destruição em massa do Iraque. África Em outra ocasião, em julho de 2003, o diretor da CIA afirmou que a agência errou ao permitir que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, incluísse em seu discurso de janeiro daquele ano acusações de que o Iraque buscava material nuclear na África. Analistas colocaram em dúvida a veracidade dessas informações antes mesmo do discurso, mas a agência de espionagem americana analisou o discurso e deixou a informação passar, segundo Tenet. Tenet, de 51 anos, deve continuar no posto até o meio de julho. Depois disso, o vice-diretor, John McLaughlin, assumirá o cargo temporariamente, até que um substituto seja indicado. |
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