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Bush nega ter recebido alerta antes do 11/9 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente americano, George W. Bush, disse nunca ter visto documentos dos serviços de inteligência que previam a realização dos atentados de 11 de setembro de 2001. Suas declarações, no domingo, foram feitas após a Casa Branca publicar um memorando entregue a ele um mês antes dos ataques. O relatório falava do risco de uma ação da Al-Qaeda nos Estados Unidos e da possibilidade do uso de aviões seqüestrados. Bush afirmou que, caso tivesse recebido uma advertência específica sobre os planos para o ataque, ele teria "movido montanhas" para evitá-lo. "Nunca vi nenhuma informação de inteligência que indicasse que um ataque estava por ocorrer nos Estados Unidos, uma hora, um lugar, um ataque", declarou o presidente. Memorando A Casa Branca tornou público um relato da inteligência americana que se referia à ameaça da Al-Qaeda um mês antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. "Bin Laden quer conduzir ataques terroristas nos Estados Unidos desde 1997", afirma o memorando escrito em agosto de 2001. "A informação do FBI indica padrões de atividades suspeitas neste país consistentes com preparações para seqüestros e outros tipos de ataques, incluindo prédios em Nova York", acrescenta o documento. "Integrantes da Al-Qaeda, incluindo alguns que são cidadãos americanos, moraram ou viajaram para os Estados Unidos durante anos, e o grupo aparentemente mantém uma estrutura que pode auxiliar em ataques." A comissão independente que investiga os ataques do 11 de Setembro pressionou a administração de George W. Bush para tornar o documento público. A Casa Branca havia dito que o documento continha apenas informações sobre o histórico da Al-Qaeda e não alertas sobre a possibilidade de ataques. Vingança A existência do material, intitulado "Bin Laden determinado a atacar dentro dos Estados Unidos", veio à tona na última quinta-feira durante o depoimento da assessora de Segurança Nacional do governo Bush, Condolezza Rice. O documento foi entregue a Bush como parte de seu briefing diário dos serviços de inteligência que trabalham para a Casa Branca. O correspondente da BBC em Washington, Jon Leyne, diz que o material aparentemente contradiz afirmações prévias da Casa Branca, que insistia não ter informação específica sobre as intenções da Al-Qaeda nos Estados Unidos. Bin Laden teria jurado vingança ao governo americano depois de um ataque de mísseis a sua base no Afeganistão, em 1998, ainda pelo governo de Bill Clinton. Segundo o documento, a prisão de um homem em 1999 com explosivos em Washington já poderia ser parte do plano. Quando o memorando foi redigido, diz o documento, o FBI (polícia federal americana) investigava 70 casos isolados sobre a ameaça de Bin Laden. Seqüestro de aviões O relatório afirma ainda que Bin Laden era preciso na arquitetura de seus ataques e cita como exemplo os atentados às embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em 1998. O memorando, no entanto, não fala sobre a possibilidade de os aviões seqüestrados serem usados como armas. Em seu testemunho, Condolezza Rice referiu-se a um documento de 1998 que se referia à possibilidade de terroristas seqüestrarem aviões, mas não levantava a possibilidade de aviões serem usados como armas. Integrantes democratas da comissão querem, agora, saber por que o documento divulgado não serviu como um alerta para os ataques, um mês mais tarde, em Nova York e Washington. A comissão deve ouvir em breve outras figuras-chave para suas investigações: o secretário de Justiça americano, John Ashcroft, o diretor da CIA (agência de inteligência americana), George Tenet, e o ex-diretor do FBI Louis Freeh. |
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