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Comissão pede a Bush memorando sobre Bin Laden | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A comissão que investiga as circunstâncias dos ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington pediu à Casa Branca que revele um memorando enviado ao presidente George W. Bush um mês antes do evento. A existência do documento, intitulado "Bin Laden determinado a atacar os Estados Unidos" e datado de 6 de agosto de 2001, veio à tona no depoimento da conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, na quinta-feira. Ela disse que o relatório é um documento histórico e não um alerta de emergência. Ainda em seu depoimento, Rice admitiu falhas nos serviços de inteligência, mas disse que não havia meios de prever os ataques. 'Centro das atenções' Poucos minutos depois de encerrado o testemunho de Rice, a comissão afirmou que o memorando "foi um dos centros das atenções no depoimento". O correspondente da BBC em Washington Justin Webb disse que o pedido indica que a batalha do presidente George W. Bush com a comissão ainda não terminou. Segundo Webb, líderes democratas fizeram eco ao pedido da comissão, na crença de que o documento possa provar que o governo Bush foi, de fato, negligente. Mas o correspondente da BBC afirma que republicanos desprezaram o pedido, e alguns deles até questionaram a validade da comissão. 'Vagos' Em seu depoimento diante da comissão, na quinta-feira, Condoleezza Rice disse que impedimentos legais impossibilitaram a troca de informações entre os vários serviços de inteligência. Rice admitiu que o governo Bush recebeu avisos sobre ameaças terroristas vários meses antes de 11 de setembro que falavam sobre um "grande ataque", mas eles eram "vagos", sem data, local ou a maneira como seria feito. A conselheira foi pressionada repetidamente por vários membros da comissão a responder se havia ou não alertas que pudessem ter chegado ao presidente Bush e que tivessem sido ignorados por ele. Um dos membros democratas da Comissão, Richard Ben-Veniste, perguntou especificamente sobre o memorando, cujo título se mantinha em segredo até agora. "Trata-se de um documento baseado em relatórios antigos e com finalidade histórica", respondeu a assessora. "O relatório não trazia informações sobre novas ameaças nem qualquer alerta sobre o fato de os ataques serem realizados dentro do território americano." Clinton A conselheira também disse à comissão independente que a administração Bush manteve os conselheiros do governo do ex-presidente Bill Clinton enquanto desenvolvia sua própria estratégia para lidar com a Al-Qaeda. Ela disse que a estratégia consistia em trabalhar junto com governos de outros países para lutar contra os terroristas da Al-Qaeda em terra, além de operações secretas e corte dos fundos que financiavam o grupo. Rice ainda afirmou que a resposta à ameaça da rede Al-Qaeda foi "insuficiente" por mais de 20 anos. Ao reconhecer que o governo americano havia ignorado a ameaça da rede Al-Qaeda por todo esse tempo, a conselheira afirmou que "os terroristas estavam em guerra contra os Estados Unidos, mas nós não estávamos em guerra contra eles". Ela também disse que o presidente George W. Bush entendia bem a ameaça da Al-Qaeda: antes de 11 de Setembro, ele recebeu mais de 40 documentos referentes ao grupo. Bush queria desenvolver uma estratégia para eliminar tal ameaça, segundo Condoleezza. A conselheira disse à comissão que o presidente americano não pretendia responder a ataques individuais como aqueles que ocorreram. Bush, contou a conselheira, estava "cansado de mata-moscas". |
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