|
Análise: Dados sobre Iraque agora recebem atenção | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pouco antes do início da guerra contra o Iraque, no ano passado, um alto funcionário do governo britânico assegurou a uma audiência em Londres que o Iraque possuía armas de destruição em massa. Com a mão sobre as medalhas penduradas no peito, afirmou: "Acreditem em mim, eu sei que (o Iraque) tem". Ele não teria feito tal declaração sem acreditar nisso. Mas ele não faria uma declaração dessas hoje. De fato, o fracasso dos serviços de informação no Iraque apenas agora está recebendo a atenção que merece. Realizar um inquérito independente vai além de uma forma conveniente de desviar a atenção de decisões políticas e de despejar responsabilidades no colo dos funcionários dos serviços secretos. É uma parte necessária do processo de obtenção de informações, que exige cuidado contínuo e revisões eventuais. Um diplomata da velha guarda, altamente crítico à forma pela qual as informações dos serviços secretos foram usadas no caso do Iraque, observou: "Inteligência não é fato. Se fosse, não seria inteligência". Ataques preventivos E no entanto o trabalho dos serviços de informação raramente foi tão importante. Ele está no cerne da nova doutrina de ataques preventivos do presidente George W. Bush. Sem informações confiáveis, obviamente não pode haver políticas com credibilidade. O ex-inspetor de armas David Kay, que fez mais do que ninguém para declarar que o rei está nu, disse em uma entrevista à rede de TV americana Fox News no fim de semana: "Quando você comete erros, (...) você precisa ser visto como alguém que percebe por que fez esses erros, e na próxima crise de segurança (que vier à tona) – seja Síria ou Irã ou o que seja – nós contamos aos nossos aliados: 'É por isso que nós acreditamos que é perigoso', e eles vão entender que nós tomamos as medidas para nos assegurarmos de que estávamos corretos." Outros lapsos O presidente Bush está montando um grande inquérito sobre o que aconteceu no Iraque. Mas ele deve ampliar os termos para incluir outros lapsos recentes. Aí se incluem o fracasso em prever os testes nucleares conduzidos pela Índia e pelo Paquistão em 1998, as tentativas do Irã de desenvolver capacidade de enriquecer urânio, o desenvolvimento do programa de armas da Líbia, o papel dos cientistas paquistaneses em espalhar a ameaça das armas nucleares e o fracasso em agir de forma ligeira contra a Al-Qaeda antes dos atentados de 11 de setembro de 2001. Bush vai basear o seu inquérito na Comissão Warren, que investigou a morte do presidente John F. Kennedy, em 1963. Isso lhe conferirá peso, e o seu amplo escopo vai garantir que a luz cairá sobre as administrações anteriores e que os seus resultados não virão antes das eleições de novembro. O estilo americano tem sido privilegiar inquéritos grandes e arrojados. Depois do desastre de Pearl Harbor, o Congresso americano conduziu o seu próprio inquérito para complementar as cortes militares. Os americanos estão muitas vezes preparados para pôr a culpa em indivíduos. No caso de Pearl Harbor, a responsabilidade foi colocada sobre os comandantes americanos, o almirante Husband Kimmel e o general Walter Short. Estilo britânico O estilo britânico, pelo contrário, tende a ser mais cavalheiresco. E os serviços de inteligência são raramente criticados. Já houve um inquérito sobre o Iraque, feito pelo Comitê Parlametar sobre Inteligência e Segurança. Além disso, os inquéritos britânicos costumam ser colocados nas mãos de uma única pessoa, como no caso do lorde Brian Hutton e a investigação sobre as circunstâncias da morte do cientista David Kelly. Inquéritos conduzidos por uma só pessoa podem atrair grande apoio. Uma investigação sobre confrontos raciais em Brixton, no sul de Londres, em 1981, permitiu uma maior compreensão das frustrações da juventude negra. Mas eles também são vulneráveis a críticas de que são muito limitados, como aconteceu com o inquérito sobre o Domingo Sangrento (confrontos entre soldados britânicos e manifestantes irlandeses que deixaram 13 mortos), que está atualmente, 22 anos depois, sendo reexaminado em um novo inquérito. O inquérito sobre o Iraque aparenta ser um híbrido dos modelos já usados. Será presidido pelo lorde Robin Butler mas deve vai ser assistido por parlamentares e especialistas de fora do governo. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||