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Bush não sabia sobre prisão de extremista, diz Tenet | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor da CIA, o serviço secreto dos Estados Unidos, nunca informou ao presidente George W. Bush que um suspeito extremista islâmico foi descoberto tendo aulas de vôo no país. De acordo com George Tenet, que depôs nesta quarta-feira na comissão independente que investiga os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, o presidente estava em férias e não foi informado por isto. Vários dos integrantes da comissão criticaram o "completo fracasso da inteligência antes dos ataques", nos quais quase 3 mil pessoas morreram. Tenet também previu que a comunidade de inteligência americana vai demorar mais cinco anos para fornecer o tipo de serviço antiterrorismo necessário para combater a Al-Qaeda e outras ameaças. Férias Tim Roemer, um dos membros da comissão e ex-congressista democrata, perguntou a Tenet se ele mencionou alguma vez em conversas com Bush a prisão de Zacarias Moussaoui em meados de agosto de 2001, quando Moussaoui demonstrava um comportamento estranho em uma escola de vôo de Minnesota. O diretor da CIA respondeu que não falou uma só vez com o presidente naquele mês. Bush estava em férias no seu rancho em Crawford, no Texas. Ele tamém afirmou que não conversou com outros assessores graduados da Casa Branca por não achar "apropriado". Depois da prisão de Moussaoui, Tenet e outros dirigentes da CIA receberam um relatório intitulado "Extremistas ilsâmicos aprendem a voar". Mas ele não mencionou a informação em uma reunião com assessores da Casa Branca no dia 4 de setembro de 2001, que discutiu a rede Al-Qaeda. "Isto não foi discutido na reunião porque tínhamos uma agenda separada", disse Tenet. "Tudo o que posso dizer é que não era o lugar apropriado. Não posso ir mais longe do que isto", disse Tenet. Moussaoui, que inicialmente foi detido por violações da lei de imigração, foi depois processado por conspiração em conexão com os ataques de 11 de setembro e pode ser condenado á morte. Tenet admitiu que erros cometidos pelos serviços de inteligência permitiram que os ataques acontecessem nos Estados Unidos. Ele disse que apesar da estratégia correta ter sido adotada com relação à rede Al-Qaeda, o plano específico não foi descoberto. "Não conseguimos descobrir a natureza específica do plano", afirmou. Cegueira De acordo com Tenet, um dos problemas foi tornar as informações disponíveis para todos os setores da comunidade de inteligência. O chefe da CIA também afirmou que a agência estava "uma bagunça" quando ele assumiu, em 1997, e que o orçamento estava sendo reduzido, apesar da ampliação de ameaças contra os Estados Unidos. Também na terça-feira, o Secretário de Justiça, general John Ashcroft, disse à comissão que os Estados Unidos estavam "cegos para os seus inimigos". Para Ashcroft, as políticas do ex-presidente Bill Clinton dificultaram o combate à rede comandada por Osama Bin Laden. O relatório inicial revelou que Ashcroft recusou um pedido de mais recursos ao FBI na véspera dos ataques de 11 de setembro. Mueller O diretor do FBI (a Polícia federal americana), Robert Mueller, também prestou depoimento nesta quarta-feira, disse que o órgão adotou mudanças que melhoraram sua eficiência desde os ataques em Washington e Nova York. Segundo ele, reformas abrangentes no FBI têm ajudado a prevenir novos atos extremistas nos Estados Unidos. Mueller disse que uma das principais mudanças se faz sentir na melhoria da comunicação entre o FBI e a CIA. Ele também destacou que dados de inteligência provenientes do exterior e domésticos estão, hoje, integrados em praticamente todos os níveis de operação do órgão. A comissão bipartidária independente vai entregar seu relatório final em julho, em plena campanha eleitoral. Os relatórios preliminares têm sido altamente críticos ao que parece ser uma sucessão de erros antes dos ataques. |
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