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Bush nega erros e reafirma compromisso no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se negou a reconhecer qualquer erro de julgamento que tenha cometido antes ou depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Washington e Nova York. “Eu teria ido ao Afeganistão da forma que fomos ao Afeganistão. Mesmo sabendo o que eu sei hoje sobre estoques de armas (de destruição em massa no Iraque), eu ainda teria pedido ao mundo para que tomasse uma atitude com relação a Saddam Hussein”, disse, se referindo ao fato de que as armas de destruição em massa no Iraque, cuja existência foi usada como justificativa para a guerra no ano passado, nunca terem sido encontradas. Em uma coletiva na Casa Branca, Bush reiterou todas promessas no tocante à presença dos Estados Unidos no Iraque, dizendo que o país continua determinado a devolver o poder sobre o Iraque às autoridades iraquianas no dia 30 de junho, apesar do aumento da violência no país nas últimas semanas. “Um compromisso central dessa missão é transferir a soberania de volta ao povo iraquiano. Nós estabelecemos o dia 30 de junho como a data final para isso. É importante que nós respeitemos esse prazo”, disse, acrescentando que espera ver eleições no país “até janeiro”. “Nós vamos terminar o trabalho dos que morreram”, completou Bush, se referindo às vítimas da violência no Iraque. Vietnã O presidente começou a coletiva fazendo um pronunciamento de cerca de 17 minutos, em que reafirmou o compromisso americano no Iraque e confirmou que vai autorizar o envio de mais tropas ao país, se isso for necessário. O discurso se seguiu a aproximadamente uma hora de perguntas feitas por jornalistas – todas relacionadas à situação no Iraque e à comissão de inquérito que investiga o 11 de Setembro. Segundo Bush que o fracasso do envolvimento americano no Iraque levaria a conseqüências “impensáveis” para todo o mundo. Isso porque, de acordo com Bush, isso iria tornar os “terroristas” mais ousados e “todos os que são contra os Estados Unidos celebrariam, comemorando nossa fraqueza”. O presidente descreveu os iraquianos como “um povo com orgulho”, que não gosta de ocupação, mas salientou que os Estados Unidos “não são um poder imperial, como nações como Alemanha e Japão podem dizer”. O presidente americano também disse que são “falsas” as comparações entre o envolvimento americano atualmente no Iraque e no Vietnã, na guerra ocorrida há cerca de três décadas. “Eu por acaso também penso que essa analogia envia a mensagem errada a nossos soldados e ao inimigo”, disse. Inquérito Essa foi a terceira coletiva de Bush transmitida ao vivo pela TV em horário nobre nos Estados Unidos e a 12ª desde que ele chegou à Presidência, em 2001. Ela aconteceu em um momento em que o aumento da violência no Iraque provocou, neste mês, as mortes de cerca de 70 soldados americanos da coalizão militar que ocupa o país. Paralelamente, o governo de Bush enfrenta críticas de membros da comissão que investiga os atentados de 11 de setembro de 2001. Em depoimento à comissão nesta terça-feira, o secretário de Justiça, John Ashcroft, culpou restrições legais adotadas durante o governo do presidente Bill Clinton (1993-2001) por problemas na troca de informações dos serviços de inteligência americanos, que poderiam ter ajudado a evitar os ataques. Falando do inquérito sobre o 11 de Setembro na coletiva, Bush reiterou que acredita que seu governo não poderia ter feito nada para impedir os ataques de 2001. “Se eu tivesse tido acesso a qualquer sinal de que pessoas iriam colidir aviões em edifícios, eu teria movido os céus e a terra para salvar o país”, disse o presidente americano. O presidente disse que é importante deixar claro que, na época dos ataques, o país não estava em mobilização de guerra, elogiou a introdução da chamada Lei Patriota (Patriot Act) nos Estados Unidos. Segundo ele, a lei, adotada depois dos atentados com o objetivo de facilitar as buscas de possíveis extremistas em território americano, vai permitir que o FBI (a Polícia federal americana) e a CIA (Central de Inteligência) trabalhem juntas de forma mais eficiente. |
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