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EUA estavam 'cegos' antes do 11/9, diz Ashcroft | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário de Justiça dos Estados Unidos, John Ashcroft, afirmou durante seu depoimento à comissão que investiga o 11 de Setembro que restrições legais adotadas durante a Presidência de Bill Clinton (1993-2001) “cegaram” o governo do país. Falando em Washington nesta terça-feira, Ashcroft disse que essas restrições impediram que os serviços de inteligência do país, como o do FBI (a Polícia Federal americana) e a CIA (Central de Inteligência dos Estados Unidos), cooperassem de forma eficiente, o que poderia ter ajudado a evitar os atentados. “A verdade sobre o 11 de Setembro é essa: nós não sabíamos que um ataque estava vindo porque, por quase uma década, nosso governo se cegou em relação a seus inimigos”, disse Ashcroft. “O velho sistema de inteligência, em vigor no 11 de Setembro, estava destinado a falhar.” “Draconiano” Ashcroft também disse que recomendou, assim que chegou ao cargo, que Osama Bin Laden fosse preso ou assassinado, revertendo uma ordem em vigor até então de capturá-lo vivo. De acordo com o secretário, seu pedido recebeu o apoio da conselheira de Segurança Nacional, Condoleeza Rice, mas que “leis draconianas”, em vigor na época, impuseram restrições ao plano.
Essas barreiras legais forçavam, segundo ele, a separação entre investigadores criminais e agentes de inteligência, impedindo a troca de informações. “Havia um programa secreto para capturar Bin Laden e levá-lo à Justiça, mas mesmo esse programa foi prejudicado por uma rede paralisante de requisitos, restrições e regulamentos que impediam ações decisivas por parte de nossos agentes em campo”. “Mesmo se eles (os agentes de inteligência) pudessem ter se infiltrado nos campos de treinamento de Bin Laden, eles teriam necessitado de um time de advogados para aprovar a captura”, disse Ashcroft. Relatório Um relatório preliminar divulgado pela comissão acusou o FBI de fracassar na tentativa de se reorganizar e responder à crescente ameaça de terrorismo. Por outro lado, o relatório diz que Ashcroft recusou um pedido de mais verbas feito pelo FBI às vésperas dos ataques de 11 de setembro de 2001. "Em 11 de setembro, o FBI estava limitado em várias áreas", afirma o documento. O documento cita ainda a "limitada apuração de inteligência, capacidade de análise estratégica, capacidade de compartilhar informação interna e externamente, falta de treinamento, falta de recursos e um regime legal complexo".
No dia dos ataques, concluiu a comissão, "cerca de 1,3 mil agentes, ou 6% do pessoal do FBI, trabalhava com antiterrorismo", afirma o relatório. Críticas Além de Ashcroft, falaram nesta terça-feira à comissão a ocupante da secretaria de Justiça americana no governo Bill Clinton, Janet Reno, e ex-diretores do FBI Thomas Pickard e Louis Freeh. Freeh reconheceu que as operações antiterrorismo do FBI sofriam com falta de recursos e com falta de pessoal. O relatório preliminar cita a ex-Secretária de Justiça Janet Reno afirmando que o FBI parecia nunca ter recursos suficientes. "O diretor Freeh parecia nunca querer transferir recursos de outras áreas, como crimes violentos, para o antiterrorismo", disse ela. Freeh se defendeu dizendo que redistribuía recursos para fins emergenciais, mas que os limites do Congresso impediam que a redistribuição fosse permanente. Para Reno, no depoimento, o FBI não sabia o que tinha: "A mão direita não sabia o que a esquerda fazia". |
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