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Atualizado às: 23 de março, 2004 - 17h54 GMT (14h54 Brasília)
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Acusações de ex-assessor assustam Casa Branca

Richard Clarke
Clarke: acusações sérias contra Bush em ano eleitoral
As alegações do especialista antiterrorismo americano Richard Clarke podem ser explosivas para a Casa Branca, que pretende frisar neste ano de eleições o luta incansável do presidente George W. Bush contra o terrorismo.

A realidade, de acordo com Clarke, é que a administração Bush estava tão obcecada com o Iraque que, mesmo depois de 11 de setembro, figuras-chave estavam procurando por desculpas para bombardear Bagdá em vez do Afeganistão, onde funcionava a base da Al-Qaeda.

Todos nós conhecemos o discurso do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, sobre o Iraque - antes mesmo de a guerra começar.

E, de acordo com Clarke, a visão imutável sobre os perigos representados pelo Iraque fez com que o secretário de Defesa fizesse esforços extraordinários - inclusive nos dias logo após o 11 de setembro - para bombardear Saddam Hussein e não a Al-Qaeda.

"Quando nós falamos sobre bombardear a infraestrtura da Al-Qaeda no Afeganistão, Rumsfeld disse que não havia bons alvos no Afeganistão e disse: 'Vamos bombardear o Iraque'", afirmou Clarke.

Clarke alegou na época que o Iraque não tinha nada a ver com os ataques. "Isso não parecia fazer diferença para Rumsfeld", disse.

A obsessão com o Iraque, segundo Richard Clarke, não era apenas de Rumsfeld. O presidente Bush parece "ter pego também o vírus".

A Casa Branca está inquieta.

Inquieta porque tratam-se de acusações graves em um ano de eleições e inquieta porque o homem que faz as acusações é uma fonte séria: um conselheiro antiterrorismo de quatro presidentes americanos, de Ronald Reagan a George W. Bush.

A conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, apressou-se em desqualificar o trabalho de Clarke.

"O presidente precisava de mais. Ele precisava de uma estratégia que eliminasse a Al-Qaeda. Ele precisava de uma estratégia que adotasse posturas militares sérias contra a Al-Qaeda. Eu não tinha essa estratégia do senhor Clarke em minhas mãos no dia 24 de junho."

Há alguma coisa, de fato, estranha sobre o timing de Clarke. Ele escolheu fazer essas declarações surpreendentes para vender um livro e durante uma campanha eleitoral nos Estados Unidos.

O porta-voz da Casa Branca, Dan Bartlett, pede que nós levemos isso em conta.

"Se ele tivesse preocupações tão graves sobre as ações tomadas por nós há pouco mais de um ano no Iraque e as conseqüências que elas trariam à luta ao terror, por que somente agora, em meio ao lançamento de seu livro e em ano de campannha eleitoral, é que ele faz isso?", indaga o porta-voz.

Mesmo assim, o caso Clarke está agora na corte da opinião pública e, se os americanos resolverem acreditar nele, o presidente pode sair gravemente prejudicado.

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