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Rumsfeld sobrevive a questionamento do Congresso | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, parece ter sobrevivido a seis horas de perguntas no Congresso sobre o escândalo dos maltratos a prisioneiros iraquianos. Alguns democratas do Comitê de Forças Armadas do Senado pediram sua renúncia, mas ele recebeu o apoio de republicanos e do presidente George W. Bush. Rumsfeld pediu desculpas e aceitou a total responsabilidade pelo que ele disse terem sido abusos cometidos sob seu comando. Ele também alertou para a possível revelação de "mais fotografias e alguns vídeos". Sadismo O escândalo que se seguiu à publicação, na semana passada de fotos mostrando prisioneiros iraquianos sendo humilhados, espancados e encapuzados na prisão Abu Ghraib, em Bagdá, levou o comitê a pedir explicações a Rumsfeld sobre o porquê do Congresso não ter sido informado sobre as investigações em andamento. Rumsfeld classificou os abusos como "sádicos, cruéis e inumanos" no testemunho ao comitê. "Eu me sinto péssimo pelo que aconteceu a estes detentos iraquianos. Eles são seres humanos", disse Rumsfeld. "Eles estavam sob custódia dos Estados Unidos e nosso país tem a obrigação de tratá-los da forma correta. Isso não aconteceu". No entanto, o Secretário de Defesa insistiu que foram incidentes isolados e que estavam sendo investigados pelas Forças Armadas. Sete soldados foram indiciados até agora. Pedidos de renúncia Vários congressistas democratas disseram que Rumsfeld deveria considerar a renúncia ao cargo e o comentário mais duro veio do veterano senador Edward Kennedy. "Acho que o Presidente dos Estados Unidos deveria demitir o Secretário Rumsfeld", disse o senador depois da sabatina.
"Precisamos começar de novo, precisamos de um novo Secretário de Defesa", justificou. John Warner, senador republicano e presidente do comitê, afirmou que apóia "a decisão do meu presidente". O líder republicano no Senado, Bill Frist, também demostrou seu apoio a Rumsfeld. Rumsfeld disse que renunciaria "em um minuto" se acreditasse que não estava mais sendo efetivo, acrescentando que não iria colocar seu cargo à disposição "somente porque as pessoas estão tentando transformar o caso em uma questão política". O correspondente Nick Childs, da BBC em Washington, acredita que Rumsfeld fez o suficiente para convencer o seu próprio partido de que deve manter o cargo, pelo menos por enquanto. E uma pesquisa de opinião sugere que dois terços dos americanos acreditam que ele deveria ficar. Admissão No depoimento, Rumsfeld também admitiu que demorou a notificar o Congresso, mas negou que isso fosse uma tentativa de esconder os abusos cometidos no Iraque. E justificou-se afirmando que não se deu conta da seriedade das alegações até ver as fotos vazadas para a imprensa. A justiça militar, de acordo com Rumsfeld, é obrigada a lidar com 18 mil investigações criminais por ano. Apesar do grande número de investigações, não existe um procedimento para alertar a linha de comando sobre casos que podem causar sérias consequências e precisam ser tratados com urgência, disse Rumsfeld aos congressistas. Ele prometeu a formação de uma comissão especial para tratar das investigações de abusos e também ofereceu indenizações às vítimas. |
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