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Atualizado às: 07 de maio, 2004 - 13h44 GMT (10h44 Brasília)
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Americana acusada de abuso no Iraque queria emprego burocrático
Lynndie England
Lynndie England está detida em uma base militar
Uma soldado dos Estados Unidos, de uma região remota do Estado de West Virginia, tornou-se centro das atenções depois de identificada como um dos militares fotografados aparentemente abusando de prisioneiros iraquianos.

England, de 21 anos, está presa em Fort Bragg, no Estado da Carolina do Norte, aguardando que o Exército decida se ela deve enfrentar acusações.

Ela foi rebaixada e apelidada de "anti-Jessica Lynch" - uma referência à recruta americana resgatada no Iraque e que se tornou uma heroína nacional.

England teria entrado no Exército como reservista depois de completar o segundo grau. Ela foi para o Iraque em fevereiro de 2003 e voltou aos Estados Unidos para uma visita em dezembro. Segundo um amigo, ela esperava conseguir um emprego burocrático no Exército.

Origem humilde

Em uma das fotos que chocaram o mundo, Lynndie England é fotografada segurando uma coleira atada ao pescoço de um prisioneiro iraquiano encolhido no chão.

Em outra foto, ela sorri com um cigarro no canto da boca, com os dedos de uma mão imitando uma arma, apontando para os órgãos genitais de um prisioneiro nu na prisão de Abu Gharib, perto da capital do Iraque, Bagdá.

De acordo com o jornal Baltimore Sun, England foi criada em um trailer estacionado em uma rua de terra batida atrás de um bar e de uma fazenda de criação de ovelhas em Fort Ashby, em West Virginia. Seu pai trabalhava em uma ferrovia.

Sua mãe, Terrie, disse ao jornal que a filha entrou no Exército para conhecer o mundo e ir para a universidade. A ex-estudante dedicada tinha ambições de se tornar metereologista.

No Exército, ao invés de um emprego burocrático, viu-se ajudando a guardar centenas de prisioneiros iraquianos. Ela se envolveu com um outro soldado, Charles Graner, que aparece com ela em uma das fotos publicadas.

"Travessura"

Sua mãe disse que ficou chocada com as fotografias, mas qualificou o suposto abuso como "coisa de criança - travessura".

"E o que eles (os iraquianos) fazem com os nossos homens e mulheres é justo? As regras da Convenção de Genebra, elas se aplicam a todo mundo ou apenas a nós?", perguntou Terrie England.

Ela está ressentida com a forma com que Lynndie foi tratada por estar, como disse Terrie ao Washington Post, "no lugar errado, na hora errada".

"O governo voltou as costas para ela, e tudo é uma grande piada", acrescentou a mãe de Lynndie England.

Os amigos de Lynndie, aparentemente, a estão apoiando.

Destiny Gloin disse à ABC news: "Ela nunca se meteu em encrenca. Ela não é o tipo de pessoa que as fotografias indicam ser. Eu a adoro e não tenho vergonha dela".

Em janeiro, Lynndie tinha idéia do que estava para vir. Em um telefonema de Bagdá, ela teria dito à mãe "pode acontecer algum problema".

O problema acabou vindo à tona.

Corte marcial

Seis outros membros de sua unidade, baseada em Cresaptown, Estado de Maryland, enfrentam os trâmites preliminares de uma corte marcial em conexão com o suposto abuso de prisioneiros iraquianos.

As famílias e os amigos dos outros soldados também começaram a se manifestar publicamente.

"Eles estavam cumprindo ordens", disse à BBC um parente de um dos soldados. "Agora militares de patente mais alta estão procurando bodes expiatórios."

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