|
Impacto de eleições espanholas sobre EUA 'é incerto' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Analistas americanos acreditam que a vitória do candidato socialista na Espanha deve ter um impacto importante, mas ainda incerto, sobre o governo do presidente americano George W. Bush e a operação militar liderada pelos Estados Unidos no Iraque. Oficialmente, o governo americano ainda não se pronunciou sobre o anúncio feito pelo futuro primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, de que pode tirar as tropas espanholas do Iraque. No entanto, se por um lado, os efeitos operacionais são pequenos - porque a Espanha tem somente 1,3 mil soldados no Iraque -, por outro analistas acreditam que os Estados Unidos perdem um aliado que costumava se pronunciar clara e abertamente a favor das posições americanas. "Vai haver uma importante mudança nas relações dos Estados Unidos com a Espanha, mas acho que o que de fato vai acontecer ainda depende de uma posição mais pragmática que o novo governo espanhol deve adotar agora que passaram as eleições", disse o analista Marco Vicenzino, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Washington. Polônia "Certamente vai continuar havendo uma cooperação e trocas de informações, mas a Espanha não deve estar disposta a seguir colocando seus recursos sob a liderança americana." Marco Vicenzino observa que, no caso do presidente Bush, as relações pessoais com outros líderes costumam ter um peso importante na definição da política externa americana. "Bush se entendia muito bem com Aznar e agora temos de observar que relação será desenvolvida com Zapatero", disse Vicenzino. Analistas também já estão discutindo os impactos dos ataques na Espanha em outros países que fazem parte da aliança americana no Iraque. Marco Vicenzino admite que há o risco de também na Polônia haver uma resistência contra a aliança com os Estados Unidos por conta do medo de atentados em represália, mas acha que o fenômeno seria muito mais fraco do que o observado na Espanha. "Historicamente há um sentimento anti-americano na Espanha que não se observa na Polônia", diz o analista, observando que a entrada da Polônia na Otan e na União Européia vai alterar as relações de poder nestes dois órgãos, possivelmente a favor dos Estados Unidos. Eleições Analistas dizem que ainda não está claro qual impacto os atentados na Espanha vão ter nas eleições americanas, mas o fato é que os dois lados estão se esforçando para colocá-los a seu favor. Representantes do governo Bush dizem que o ataque na Espanha dá a medida da importância da guerra travada pelo presidente Bush. Mas o virtual candidato democrata, John Kerry, foi pelo outro lado e disse que o atentado mostrou exatamente que as táticas de Bush não estão funcionando. "O que aconteceu na Espanha mostra que precisamos de ação, mas ação séria e de verdade, para combater a ameaça do terrorismo", disse Kerry em um discurso na Associação Internacional de Bombeiros, em Washington. Para Marco Vicenzino, tanto os argumentos dos partidários de Bush quanto o de seus opositores são na verdade nada mais do que peças de campanha. "Analisar quais os efeitos, sucessos e falhas da guerra ao terrorismo é muito mais complicado do que isso", disse. Mas no mundo da publicidade política, Vicenzino acha que Bush leva alguma vantagem. "Bush está no poder e pode apresentar suas posições como ações e não apenas idéias", disse. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||