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Atualizado às: 15 de março, 2004 - 21h46 GMT (18h46 Brasília)
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Análise: Espanhóis põem guerra ao terror de Bush em xeque

Socialistas espanhóis celebram vitória eleitoral
As bombas chacoalharam a política espanhola e ameaçam a estratégia de Bush e seus aliados
Os atentados a bomba em Madri não chacoalharam apenas a política espanhola.

Eles abalaram a aliança entre os países que, sob a liderança de Bush, se empenham na guerra ao terror.

Isso porque os atentados fizeram com que os eleitores espanhóis adotassem a posição dos franceses e alemães, de que a guerra ao terror não tem nada a ver com a guerra do Iraque.

Na verdade, a opinião hoje na Espanha é de que a guerra ao Iraque é apenas uma distração, e está tornando as coisas ainda piores.

O líder socialista espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, já atacou os americanos e os britânicos.

"Blair e Bush precisam fazer um pouco de reflexão e autocrítica. Você não pode bombardear um povo e organizar uma guerra à custa de mentiras", disse Zapatero.

Quase um ano após José María Aznar ter posado para as câmeras ao lado de Bush e Blair nos Açores, às vésperas da guerra contra o Iraque, seu partido foi removido do poder, em parte por causa da impopularidade daquela guerra.

Se a Al-Qaeda está mesmo por trás dos atentados em Madri, essa foi uma manobra significativa da organização.

Ela mudou o governo em um dos mais importantes países aliados de Bush.

Não que os eleitores espanhóis apóiem a Al-Qaeda. Mas eles também não apóiam a política americana no Iraque.

E assim como os franceses e alemães, eles querem que a questão seja revista. Em particular, querem que a guerra ao terror seja separada da guerra ao Iraque, que, segundo Bush, seria a "linha de frente" da guerra ao terror.

Equilíbrio de poder na UE

A volta dos socialistas espanhóis ao cenário europeu também vai alterar as opiniões sobre o Iraque na União Européia.

Blair perdeu um aliado próximo e pode ter de ir buscar apoio mais ao leste, junto aos novos membros, que passam a fazer parte da UE a partir de primeiro de maio.

Bush e Blair levaram um pito do povo espanhol.

Se vão ser repreendidos também por seus próprios eleitores, ainda não se sabe.

Vale notar que no mesmo dia em que o partido de Aznar perdeu o poder na Espanha, o obstinado Vladimir Putin voltou ao poder sem grandes problemas na Rússia.

A tônica de seu governo tem sido uma impiedosa abordagem da questão da Chechênia - a guerra russa.

Em sua campanha pela reeleição, Bush está argumentando vigorosamente que sua liderança e determinação são os pontos fortes de sua administração, algo que seu oponente John Kerry, do Pardido Democrátco, não pode oferecer.

Kerry, por sua vez, vai dizer que as dúvidas a respeito do Iraque na Espanha são as mesmas dos eleitores americanos.

A reação imediata do governo britânico é reafirmar sua posição e declarar que não haverá mudança na política vigente.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, rejeita o argumento de que os países que adotam posições mais brandas estão mais seguros.

"Ninguém deve acreditar que de alguma forma podemos nos retirar da guerra contra os extremistas islâmicos", disse Straw à BBC.

"A idéia de que, de alguma forma, exista um certificado de exclusão para essa guerra é absurda", ele acrescentou.

Um resultado da eleição espanhola será o aumento dos esforços pelos britânicos e americanos para devolver o Iraque aos iraquianos.

Dessa maneira, eles esperam reduzir o impacto da questão iraquiana sobre a campanha contra a Al-Qaeda.

Em maio, eles vão buscar uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU para que a devolução do poder a um governo interino iraquiano no final de junho seja aprovada.

Entretanto, um grande número de tropas estrangeiras vai permanecer no país sob o comando de um general americano, o que pode representar um alvo e uma desculpa para mais ataques.

O novo governo espanhol vai querer trazer suas tropas para casa, mas no passado o Partido Socialista deixou uma porta aberta ao dizer que as tropas poderiam permanecer no Iraque se houvesse um mandato da ONU.

Resta saber se os socialistas vão manter sua posição, tendo em vista os sentimentos exaltados dos espanhóis no momento.

De qualquer forma, a dúvida sobre o futuro dos espanhóis no Iraque cria mais um problema para o presidente Bush.

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