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Atualizado às: 15 de março, 2004 - 11h26 GMT (08h26 Brasília)
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Sombra de atentados ofusca vitória socialista na Espanha

partidários do PSOE
Socialistas voltam ao poder depois de oito anos
Quando a Espanha apurava os resultados das eleições gerais, o Partido Socialista dos Trabalhadores Espanhóis (PSOE, em espanhol), foi cauteloso desde o começo.

"Esta é uma noite para a democracia, não para comemorações."

As primeiras pesquisas de boca-de-urna indicavam que iria ser uma longa noite, com uma ligeira vantagem que flutuava entre o PSOE e o Partido Popular, base do governo.

No entanto, às 20h locais (16h no horário de Brasília), duas horas depois de as urnas terem fechado, a liderança socialista se consolidou e o secretário do partido, José Blanco, anunciou a vitória do PSOE.

A vitória foi naturalmente ofuscada pela tragédia na Espanha, em um momento em que o país tenta lidar com os ataques de 11 de março em Madri, que deixaram quase 200 mortos e mais de mil feridos.

O resultado representa uma volta ao governo socialista depois de oito anos do regime de centro-direita de José María Aznar.

À sombra da guerra

Aznar será agora lembrado como o primeiro-ministro que trouxe a prosperidade de volta à Espanha, mas também que apoiou a invasão ao Iraque liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos analistas concorda que o resultado dessas eleições foi bastante influenciado pelos ataques em Madri e pela forma como o governo tratou a crise.

Aznar foi acusado de manipular as informações sobre quem estava por trás dos ataques – sua insistência inicial de que se tratava de obra do grupo separatista basco ETA agora está em segundo plano, atrás da tese sobre o envolvimento da Al-Qaeda.

A conexão com a Al-Qaeda é a pior hipótese para o partido de Aznar, pois sugere que os ataques foram uma resposta direta ao apoio do governo à guerra –o que contrariou 90% da opinião pública.

Muita gente, entre os milhões de manifestantes que saíram em passeata nos últimos dias na Espanha para repudiar o terror, disse que o povo espanhol pagou o preço da guerra no dia 11 de março, nas mãos dos autores dos atentados.

'Batom'

Agora, os sinais são de que as medidas de Aznar afetaram sua posição e seu partido.

Na manhã de domingo, uma criança sentada no metrô de Madri voltou-se para a mãe e disse: "Olha mamãe, o presidente está de batom!"

O cartaz de campanha era do candidato Mariano Rajoy, do Partido Popular, e estava coberto com graffiti, com slogans de protesto dos últimos dias.

"Suas guerras, nossas vítimas", "Respeito aos mortos" - diziam os slogans. E, como o menino indicou, os lábios haviam sido pintados de vermelho.

Mas se o ETA ou a Al-Qaeda devem ser responsabilizados pelos ataques, os espanhóis decidiram mostrar que pelo menos sua fé na democracia não será destruída.

Tratando da ferida

Algumas pessoas votaram horas depois de sepultarem seus entes queridos mortos nos ataques.

Feridos que tiveram alta de hospitais também foram votar.

Outros eleitores fizeram fila antes que as urnas abrissem e, em poucas horas, ficou claro que o comparecimento foi maior do que nas eleições de 2000, que deu a Aznar um segundo mandato.

O futuro primeiro-ministro socialista, José Luís Rodriguez Zapatero, terá que buscar outros partidos da esquerda que tiveram algum sucesso nas urnas para obter apoio no Parlamento.

Mas, num momento em que os partidários dos socialistas são instados a aceitar a vitória com dignidade, líderes do partido devem estar analisando o desafio de chegar ao poder em um país de luto, onde devem encontrar formas de sanear as divergências e curar as feridas.

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