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Espanhóis devem comparecer em massa às eleições | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os atentados de quinta-feira passada em Madri devem fazer com que os espanhóis compareçam em massa às eleições deste domingo. "Uma coisa que ninguém discute é que, provavelmente, deve haver grande participação nas urnas", disse Charles Powell, analista sênior do Instituto Real Elcano, com sede em Madri. "As pessoas estão em choque, com raiva, e vão demonstrar isso votando. O comparecimento já ia ser alto, mas acho que agora deve ultrapassar 80%", disse ele à BBC. O historiador Juan Pablo Fusi, da Universidade de Madri, concorda. "Essas bombas devem aumentar o comparecimento às urnas - o povo deve mostrar que concorda com o governo em que a única maneira de combater o terrorismo é pela democracia, votando", disse ele à BBC. Quem ganha? Há menos consenso, no entanto, sobre que partido deverá ser beneficiado. As pesquisas mais recentes indicavam vitória apertada do atual partido do governo, o Partido Popular, liderado por Mariano Rajoy, sucessor escolhido a dedo pelo primeiro-ministro Jose Maria Aznar. Estimava-se que sua vantagem seria de 4,5% sobre o Partido Socialista dos Trabalhadores da Espanha (PSOE), o principal partido da oposição, liderado por Jose Luis Rodriguez Zapatero. Mas as pesquisas foram feitas três dias antes dos atentados que mataram 200 pessoas, e a notícia da prisão de três marroquinos e dois espanhóis de ascendência indiana, além da fita de vídeo encontrada com uma suposta mensagem da rede Al-Qaeda assumindo a autoria do atentado, podem dificultar ainda mais as previsões. Havia um consenso geral de que se o gupo separatista basco ETA fosse o responsável pelos atentados o partido governista se beneficiaria, graças ao seu compromisso de lutar contra os separatistas bascos. "A interpretação emocional óbvia é que os espanhóis apoiariam a linha dura do governo contra o grupo", disse o professor de ciências políticas Josu Mezo à agência de notícias Reuters. Mas, apesar de o envolvimento de extremistas islâmicos estar longe de ser provado, a correspondente da BBC em Madri, Katya Adler, disse que há mais e mais indicações de que este possível envolvimento pode custar caro ao governo. "O ponto chave são as provas", disse o professor Fusi. "Se for provada a responsabilidade da Al-Qaeda, muitas pessoas podem estabelecer uma conexão com a participação da Espanha na invasão do Iraque e votar contra o governo." Previsão 'impossível' Mas outro fator pode causar uma significantiva virada para os socialistas, disse Powell. "Se a Al-Qaeda estiver por trás dos atentados, os eleitores jovens de esquerda - contrários à guerra contra o Iraque, mas que tendem a se abster de votar no momento por causa da insatisfação com os partidos de esquerda - podem comparecer às urnas e votar... e isso pode pesar na balança." Para outros analistas, a previsão é impossível depois dos atentados de quinta-feira, a pior carnificina em solo espanhol desde a guerra civil entre 1936 e 1939. "Meus pensamentos estão com os mortos agora, não posso começar a pensar sobre as consequências nas eleições", disse o analista Juan Diez à agência de notícias Reuters. "Nunca vivemos nada tão terrível quanto isto, é impossível dizer como os espanhóis vão reagir. É um trabalho de adivinhação." |
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