BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 15 de março, 2004 - 06h56 GMT (03h56 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Governo é derrotado nas eleições espanholas
Cartaz de protesto contra o governo
Analistas acreditam que os ataques tenham mudado o resultado das eleições
O Partido Popular, do atual primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar, sofreu uma derrota inesperada nas eleições gerais do país.

O pleito aconteceu horas depois de o governo ter revelado a existência de uma fita de vídeo na qual um suposto integrante da Al-Qaeda afirma que a organização foi responsável pelos ataques de quinta-feira que deixaram 200 mortos.

O candidato do Partido Socialista, José Luis Rodrigues Zapatero, deverá agora se tornar o novo primeiro-ministro espanhol, acabando com oito anos de governo conservador.

Essa foi a primeira vez que um governo que apoiou a coalizão liderada pelos Estados Unidos na guerra do Iraque perde uma eleição.

Surpresa

Zapatero tinha se oposto à guerra e sinalizou que poderia retirar as tropas espanholas do Iraque.

"A minha prioridade será lutar contra todas as formas de terrorismo", disse Zapatero.

A vitória de Zapatero era considerada – até quinta-feira passada – pouco provável.

Mas os socialistas conseguiram 42% dos votos, e o Partido Popular obteve 38%, segundo os resultados oficiais.

Cerca de 77% dos eleitores compareceram às urnas – um número bem maior do que o esperado.

Analistas acreditam que muitas pessoas decidiram votar neste domingo para desafiar os responsáveis pelos ataques de quinta-feira.

Um correspondente da BBC em Madri diz que a forma como o governo lidou com a situação logo depois dos atentados – acusando o grupo separatista basco Eta – pode ter lhe custado as eleições.

"Foi a primeira vez que eu votei. Eu estou muito feliz porque o governo tinha que mudar.....por causa da guerra no Iraque", disse um estudante de direito espanhol à BBC.

Investigações

As investigações sobre os autores dos ataques continuam.

Cayetano Abad foi ferido nas explosões de quinta, mas quis votar
Cayetano Abad foi ferido nas explosões de quinta, mas quis votar

Inicialmente o governo afirmava que o ETA era o responsável pelas bombas, mas foi forçado a admitir que a Al-Qaeda é suspeita, afirma o correspondente da BBC em Madri.

Em uma fita um homem se identifica como o porta-voz militar da Al-Qaeda na Europa. Ele afirma que a organização foi responsável pelos ataques e fez com que o governo mudasse a sua posição.

O ministro espanhol do Interior, Angel Acebes, disse que serviços de inteligência europeus foram incapazes de identificar o homem, cujo nome seria Abu Dujan al-Afgani.

A ministra do Exterior espanhola disse à BBC que o grupo separatista basco Eta ainda é um grande suspeito e afirmou que a polícia não descarta a possibilidade de uma colaboração entre o grupo e a Al-Qaeda.

Três marroquinos e dois indianos foram detidos no sábado em conexão com os ataques.

O governo alemão pediu uma reunião urgente dos ministros do Interior da União Européia para discutir a situação.

Luto

Laços negros foram colocados nas urnas e podiam ser vistos nas lapelas dos eleitores.

A maioria dos eleitores que votaram perto das estações de trem aonde aconteceram os ataques pararam para olhar as velas e flores colocadas em homenagem às vítimas.

Cayetano Abad, um dos 1,5 mil feridos nos ataques de quinta-feira, foi levado ao posto de votação por uma ambulância.

"Vim para mostrar que a vida continua, que não podemos ficar pararados," disse.

A votação ocorreu em um clima tenso, em que os eleitores tinham que decidir que partido vai dirigir o país após os ataques.

Discussões na rua, nos cafés, nas bancas de jornal e até nos postos de votação se repetiam.

Em alguns casos foi necessário chamar a polícia para conter os ânimos.

Alguns eleitores disseram que ficaram acordados durante toda a noite, na esperança de obter informações que os ajudasse a decidir em que partido votar.

O primeiro-ministro Jose Maria Aznar e sua esposa receberam aplausos e vaias ao chegarem ao centro de Madri para votar.

Quando tentou se dirigir aos correligionários, Aznar foi impedido pela multidão que gritava "manipuladores", "mentirosos" e "paz".

O governo espanhol apoiou a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos apesar de as pesquisas de opinião terem mostrado que 90% da população se opunha à decisão.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade