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Atualizado às: 14 de março, 2004 - 20h42 GMT (17h42 Brasília)
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Pesquisas indicam disputa apertada em eleições na Espanha
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Cayetano Abad foi ferido nas explosões de quinta, mas quis votar
Os espanhóis foram às urnas neste domingo ainda sob o impacto dos ataques em Madri na última quinta-feira, que deixou 200 mortos.

Pesquisas de boca de urna apontam para uma disputa apertada entre o Partido Popular que está no governo e o oposicionista Partido Socialista.

Duas pesquisas de cadeias de televisão dão vitória aos socialistas e uma terceira aponta a vitória do governo.

Autoria

O comparecimento foi grande e muitos eleitores queriam demonstram que estavam indo votar a despeito dos ataques. Oficialmente, 62,9% dos eleitores votaram neste domingo.

"Nenhum grupo de fanáticos vai nos impedir de viver em liberdade", afirmou o primeiro-ministro Jose Maria Aznar quando colocava seu voto na urna.

As eleições também ocorreram em meio à controvérsia criada por uma fita de vídeo em que um homem se identifica como sendo o porta-voz militar da Al-Qaeda na Europa e assume a autoria das explosões em trens de Madri.

O ministro espanhol do Interior, Angel Acebes, disse que serviços de inteligência europeus foram incapazes de identificar o homem, cujo nome seria Abu Dujan al-Afgani.

Antes da divulgação da existência da fita, milhares de espanhóis participaram de protestos acusando o governo de subestimar a ligação da rede A-Qaeda com os ataques por medo de perder votos.

Eles acusavam o governo por ter responsabilizado o grupo separatista ETA.

Inicialmente o governo afirmava que o ETA era o responsável pelas bombas, mas foi forçado a admitir que a A-Qaeda é suspeita, afirma o correspondente da BBC em Madri.

Três marroquinos e dois indianos foram detidos no sábado em conexão com os ataques.

O governo alemão pediu uma reunião urgente dos ministros do Interior da União Européia para discutir a situação.

Luto

Laços negros foram colocados nas urnas e podiam ser vistos nas lapelas dos eleitores.

A maioria dos eleitores que votaram perto das estações de trem aonde aconteceram os ataques pararam para olhar as velas e flores colocadas em homenagem às vítimas.

Cayetano Abad, um dos 1,5 mil feridos nos ataques de quinta-feira, foi levado ao posto de votação por uma ambulância.

"Vim para mostrar que a vida continua, que não podemos ficar pararados," disse.

A votação ocorreu em um clima tenso, em que os eleitores tinham que decidir que partido vai dirigir o país após os ataques.

Discussões na rua, nos cafés, nas bancas de jornal e até nos postos de votação se repetiam.

Em alguns casos foi necessário chamar a polícia para conter os ânimos.

Alguns eleitores disseram que ficaram acordados durante toda a noite, na esperança de obter informações que os ajudasse a decidir em que partido votar.

Obrigação

Correspondentes da BBC em Madri afirmam que a unanimidade ficou por conta da obrigação de votar. Muitos afirmavam que só decidiram votar depois das explosões de quinta.

"Tenho dois amigos que nunca votaram e decidiram que vão votar hoje," dosse o executivo Carlos Bermudez, de 41 anos.

O primeiro-ministro Jose Maria Aznar e sua esposa receberam aplausos e vaias ao chegarem ao centro de Madri para votar.

Quando tentou se dirigir aos correligionários, Aznar foi impedido pela multidão que gritava "manipuladores", "mentirosos" e "paz".

"Quero dizer que quem quer que tenha sido, de onde quer que tenha vindo, nós nunca vamos permitir que terroristas, que fanáticos que querem acabar e subjugar a sociedade espanhola, dividi-la e destruir nossas liberadades, o façam", respondeu Aznar.

Mariano Rajoy, o candidato do Partido Popular de Aznar, também teve que buscar abrigo ao defrontar-se com um grupo de jovens que começou a gritar palavras de ordem contra ele, no posto de votação.

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