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Pesquisas indicam disputa apertada em eleições na Espanha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os espanhóis foram às urnas neste domingo ainda sob o impacto dos ataques em Madri na última quinta-feira, que deixou 200 mortos. Pesquisas de boca de urna apontam para uma disputa apertada entre o Partido Popular que está no governo e o oposicionista Partido Socialista. Duas pesquisas de cadeias de televisão dão vitória aos socialistas e uma terceira aponta a vitória do governo. Autoria O comparecimento foi grande e muitos eleitores queriam demonstram que estavam indo votar a despeito dos ataques. Oficialmente, 62,9% dos eleitores votaram neste domingo. "Nenhum grupo de fanáticos vai nos impedir de viver em liberdade", afirmou o primeiro-ministro Jose Maria Aznar quando colocava seu voto na urna. As eleições também ocorreram em meio à controvérsia criada por uma fita de vídeo em que um homem se identifica como sendo o porta-voz militar da Al-Qaeda na Europa e assume a autoria das explosões em trens de Madri. O ministro espanhol do Interior, Angel Acebes, disse que serviços de inteligência europeus foram incapazes de identificar o homem, cujo nome seria Abu Dujan al-Afgani. Antes da divulgação da existência da fita, milhares de espanhóis participaram de protestos acusando o governo de subestimar a ligação da rede A-Qaeda com os ataques por medo de perder votos. Eles acusavam o governo por ter responsabilizado o grupo separatista ETA. Inicialmente o governo afirmava que o ETA era o responsável pelas bombas, mas foi forçado a admitir que a A-Qaeda é suspeita, afirma o correspondente da BBC em Madri. Três marroquinos e dois indianos foram detidos no sábado em conexão com os ataques. O governo alemão pediu uma reunião urgente dos ministros do Interior da União Européia para discutir a situação. Luto Laços negros foram colocados nas urnas e podiam ser vistos nas lapelas dos eleitores. A maioria dos eleitores que votaram perto das estações de trem aonde aconteceram os ataques pararam para olhar as velas e flores colocadas em homenagem às vítimas. Cayetano Abad, um dos 1,5 mil feridos nos ataques de quinta-feira, foi levado ao posto de votação por uma ambulância. "Vim para mostrar que a vida continua, que não podemos ficar pararados," disse. A votação ocorreu em um clima tenso, em que os eleitores tinham que decidir que partido vai dirigir o país após os ataques. Discussões na rua, nos cafés, nas bancas de jornal e até nos postos de votação se repetiam. Em alguns casos foi necessário chamar a polícia para conter os ânimos. Alguns eleitores disseram que ficaram acordados durante toda a noite, na esperança de obter informações que os ajudasse a decidir em que partido votar. Obrigação Correspondentes da BBC em Madri afirmam que a unanimidade ficou por conta da obrigação de votar. Muitos afirmavam que só decidiram votar depois das explosões de quinta. "Tenho dois amigos que nunca votaram e decidiram que vão votar hoje," dosse o executivo Carlos Bermudez, de 41 anos. O primeiro-ministro Jose Maria Aznar e sua esposa receberam aplausos e vaias ao chegarem ao centro de Madri para votar. Quando tentou se dirigir aos correligionários, Aznar foi impedido pela multidão que gritava "manipuladores", "mentirosos" e "paz". "Quero dizer que quem quer que tenha sido, de onde quer que tenha vindo, nós nunca vamos permitir que terroristas, que fanáticos que querem acabar e subjugar a sociedade espanhola, dividi-la e destruir nossas liberadades, o façam", respondeu Aznar. Mariano Rajoy, o candidato do Partido Popular de Aznar, também teve que buscar abrigo ao defrontar-se com um grupo de jovens que começou a gritar palavras de ordem contra ele, no posto de votação. |
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