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Atualizado às: 15 de março, 2004 - 10h39 GMT (07h39 Brasília)
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Sucessor de Aznar diz que vai retirar tropas espanholas do Iraque
José Luis Rodrigues Zapatero
Aversão ao governo de Aznar foi fator decisivo nas eleições
O futuro primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodrigues Zapatero, confirmou nesta segunda-feira sua intenção de retirar as tropas militares espanholas do Iraque.

"A guerra no Iraque foi um desastre, a ocupação no Iraque é um desastre", afirmou Zapatero. O Partido Socialista, liderado pelo futuro premiê, foi o vencedor das eleições parlamentares de domingo.

Segundo a correspondente da BBC em Madri, Katya Adler, muitos eleitores consideraram os ataques de quinta-feira como um resultado do apoio do governo espanhol aos Estados Unidos na guerra contra o Iraque.

Adler afirma que em alguns pontos de votação estavam estendidas faixas com os versos: "Sua guerra. Nossa morte".

Nesta segunda-feira às 12h (8h em Brasília), milhares de pessoas em toda a Europa fizeram três minutos de silêncio em homenagem aos mortos nos atentados.

Resposta

As explosões em Madri representaram um fator decisivo na escolha dos eleitores espanhóis que foram votar nas eleições parlamentares de domingo.

A derrota do Partido Popular, do atual primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, foi uma resposta da população à maneira como o governo reagiu aos atentados.

A administração de Aznar insistiu inicialmente que militantes bascos teriam realizado os ataques em trens de Madri que deixaram quase 200 mortos e centenas de feridos, embora evidências já indicassem uma ação da rede Al-Qaeda.

De acordo com analistas, a aversão ao governo de Aznar significou a vitória do Partido Socialista, de Zapatero, que deve agora se tornar o novo primeiro-ministro espanhol, acabando com oito anos de administração conservadora.

Resultados
Partido Socialista: 42%
Partido Popular: 38%
Esquerda Unida: 5%
Convergência e União: 3%
Esquerda Republicana da Catalunha: 2,5%

A vitória de Zapatero era considerada pouco provável até quinta-feira passada, mas os socialistas conseguiram 42% dos votos e o Partido Popular, 38%.

Zapatero tinha se oposto à guerra e já havia sinalizado que poderia retirar as tropas espanholas do Iraque. "A minha prioridade será lutar contra todas as formas de terrorismo", disse.

Cerca de 77% dos eleitores compareceram às urnas – um número bem maior do que o esperado. Analistas acreditam que muitas pessoas decidiram votar no domingo para desafiar os responsáveis pelos ataques de quinta-feira.

Investigações

As investigações sobre os ataques continuam. No domingo, o governo espanhol afirmou que não conseguiu identificar o suposto porta-voz militar da Al-Qaeda que teria assumido, em uma fita de vídeo, a responsabilidade pelas explosões das bombas nos trens em Madri.

"Nós não fomos capazes de identificar a pessoa", disse o ministro do Interior espanhol, Algel Acebes, durante uma entrevista coletiva. "Nem os serviços (de inteligência) francês, britânico ou português têm conhecimento da existência desta pessoa", afirmou.

A fita de vídeo foi encontrada pela polícia espanhola em uma lata de lixo de Madri, a partir de informações fornecidas por um homem que telefonou para um canal de televisão espanhol.

Na fita, um homem que se diz líder militar da Al-Qaeda na Europa e se identifica como Abu Dujan Al-Afgani, assume a responsabilidade pelas explosões em Madri, além de ameaçar os espanhóis prometendo novos ataques.

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