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Premiê eleito diz que Espanha pode sair do Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O futuro primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodrigues Zapatero, confirmou nesta segunda-feira sua intenção de retirar as tropas militares espanholas do Iraque a não ser que a ONU assuma o controle do país. "A guerra no Iraque foi um desastre, a ocupação no Iraque é um desastre", afirmou Zapatero. O líder socialista fez também um apelo por uma aliança internacional contra o terrorismo e o fim do que chamou de "guerras unilaterais". A Espanha apoiou os Estados Unidos na guerra contra o Iraque, apesar da forte oposição interna. Atualmente, cerca de 1,3 mil soldados espanhóis estão atuando junto com as forças lideradas pela Polônia no centro-sul do Iraque. 'Relações cordiais' Nesta segunda-feira às 12h (8h em Brasília), milhares de pessoas em toda a Europa fizeram três minutos de silêncio em homenagem aos mortos nos atentados. Zapatero reiterou sua oposição à guerra, mas disse que seu governo vai manter o que ele chamou de "relações cordiais" com o governo americano. O premiê eleito disse que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, precisam "fazer uma autocrítica" em relação à decisão de invadir o Iraque. Zapatero afirmou que os soldados espanhóis serão retirados do Iraque caso não ocorra a transferência de soberania no país até 30 de junho. "Guerras como a que ocorreu no Iraque apenas servem para proliferar o ódio, a violência e o terror", disse Zapatero. Em uma entrevista coletiva em Madri, Zapatero afirmou que sua prioridade será "a luta sistemática contra todo tipo de terrorismo". Mas as declarações de Zapatero parecem estar gerando polêmica. "Rever nossas posições no Iraque depois dos ataques de quinta-feira seria admitir que os terroristas são mais fortes e reconhecer que eles estão certos", disse o primeiro-ministro polonês, Leszek Miller. O embaixador da Polônia na Otan (aliança militar liderada pelos EUA), Jerzy Nowak, disse à agência de notícias Reuters que está preparado para assumir o contigente no Iraque caso a Espanha se retire. Surpresa O Partido Socialista, liderado pelo futuro premiê, obteve uma vitória surpreendente nas eleições parlamentares de domingo, aparentemente uma resposta dos eleitores à maneira com que o governo lidou com os atentados em Madri, na última quinta-feira. Segundo a correspondente da BBC em Madri Katya Adler, muitos eleitores consideraram os ataques de quinta-feira como um resultado do apoio do governo espanhol aos Estados Unidos na guerra contra o Iraque. Adler afirmou que, em alguns pontos de votação, estavam estendidas faixas com os versos: "Sua guerra. Nossa morte". As explosões em Madri representaram um fator decisivo na escolha dos eleitores espanhóis que foram votar nas eleições parlamentares de domingo. A derrota do Partido Popular, do atual primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, foi uma resposta da população à maneira como o governo reagiu aos atentados. A administração de Aznar insistiu inicialmente que militantes bascos teriam realizado os ataques em trens de Madri que deixaram quase 200 mortos e centenas de feridos, embora evidências já indicassem uma ação da rede Al-Qaeda. De acordo com analistas, a aversão ao governo de Aznar significou a vitória do Partido Socialista, de Zapatero. Suspeitos A polícia espanhola agora está interrogando cinco homens suspeitos de envolvimento nas explosões. Há relatos de que um deles esteja ligado ao grupo responsabilizado pelos ataques que mataram 45 pessoas em Casablanca, em maio do ano passado. No domingo, o governo espanhol afirmou que não conseguiu identificar o suposto porta-voz militar da Al-Qaeda que teria assumido, em uma fita de vídeo, a responsabilidade pelas explosões das bombas nos trens em Madri. "Nós não fomos capazes de identificar a pessoa", disse o ministro do Interior espanhol, Algel Acebes, durante uma entrevista coletiva. "Nem os serviços (de inteligência) francês, britânico ou português têm conhecimento da existência desta pessoa", afirmou. A fita de vídeo foi encontrada pela polícia espanhola em uma lata de lixo de Madri, a partir de informações fornecidas por um homem que telefonou para um canal de televisão espanhol. Na fita, um homem que se diz líder militar da Al-Qaeda na Europa e se identifica como Abu Dujan Al-Afgani, assume a responsabilidade pelas explosões em Madri, além de ameaçar os espanhóis prometendo novos ataques. |
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