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Atualizado às: 20 de dezembro, 2003 - 17h11 GMT (15h11 Brasília)
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Líderes internacionais elogiam anúncio da Líbia
Coronel Muammar Khadafi
Khadafi negociou decisão por meses com a Grã-Bretanha

Líderes de todo o mundo elogiaram a decisão anunciada na sexta-feira pelo líder líbio Muammar Khadafi de fechar os programas de produção de armas de destruição em massa.

Khadafi disse à agência oficial de notícias líbia que ele está pronto para cumprir seu papel em um mundo livre de todas as formas de terrorismo, depois de meses de negociações com representantes de outros países.

O presidente George W. Bush afirmou que o anúncio de Khadafi pode servir como exemplo para outros países sobre como fortalecer as suas relações com os Estados Unidos.

"Líderes que abandonam a busca por armas biológicas, químicas e nucleares e por meios de lançá-las vão encontrar uma porta aberta para estabelecer melhores relações com os Estados Unidos e outros países", disse Bush.

"A promessa do coronel Khadafi, uma vez cumprida, vai deixar o nosso país mais seguro e o nosso mundo mais pacífico", completou o americano.

Blair

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, foi o primeiro a confirmar a decisão inesperada de Khadafi e a qualificou de "um momento histórico e corajoso, que eu aplaudo".

O premiê britânico, Tony Blair
Blair: 'Decisão dá à Líbia direito de voltar à comunidade internacional'

Nesta sexta-feira, o seu ministro do Exterior, Jack Straw, acrescentou que a decisão de Khadafi mostra "a enorme coragem e capacidade de estadista" do líder líbio.

Mais cauteloso, o ministro do Exterior de Israel, Silvan Shalom, disse que o anúncio pode ser um passo positivo, desde que a Líbia cumpra o que prometeu.

Já o colega egípcio de Shalom, Ahmed Maher, classificou a decisão de "um exemplo para outros países da região".

O líder da Liga Árabe, Amr Musa, aproveitou para exigir que agora o governo de Israel também seja obrigado a se submeter à legislação internacional de não-proliferação nuclear.

Na Europa, o ministro do Exterior francês, Dominique de Villepin, descreveu o acordo como "um sucesso para toda a comunidade internacional", mas acrescentou que os líbios têm agora que honrar o compromisso de indenizar as famílias das vítimas do bombardeio de um vôo comercial francês, em 1989.

Representantes espanhóis e italianos também aplaudiram a decisão.

O processo de desativação do programa de armas, segundo ele, vai ser "transparente e verificável", e o alcance dos mísseis de defesa líbios vai ficar restrito a 300 km.

Visita

Representantes britânicos disseram que, durante três semanas de visita à Líbia, peritos internacionais puderam visitar instalações secretas onde existiam projetos para o desenvolvimento de urânio enriquecido, bombas projetadas para carregar agentes químicos e estudos para o desenvolvimento de agentes biológicos.

Especialistas devem agora ir à Líbia para acompanhar o processo de desativação desses programas, o que pode demorar anos.

Os Estados Unidos e outros países há muito vem manifestando suas suspeitas quanto à existência de programas secretos para o desenvolvimento de armas de destruição em massa, apesar de a Líbia sempre ter negado isso.

O premiê Tony Blair disse também que a Grã-Bretanha vem dialogando com a Líbia há nove meses.

"A Líbia entrou em contato conosco em março, depois de negociações bem-sucedidas no caso Lockerbie, para ver se se poderia resolver a questão das armas de destruição em massa de uma maneira similar, com cooperação", disse Blair.

Segundo o primeiro-ministro, a decisão de Khadafi dá à Líbia o direito de se reintegrar à comunidade internacional.

"Ela mostra que o problema da proliferação de armas pode, com boa vontade, ser resolvido por meio de diálogo e compromisso, a ser fiscalizado pelas agências internacionais competentes."

Iraque

Blair fez um contraste entre a decisão da Líbia de se desfazer voluntariamente das armas de destruição em massa com a postura de Saddam Hussein no Iraque, que levou à invasão militar e ao afastamento do líder iraquiano.

Segundo o editor de assuntos internacionais da BBC, John Simpson, a Líbia não estava no centro da chamada "guerra contra o terror", movida pelos Estados Unidos.

No entanto, o país sempre foi considerado um "amigo de terroristas" e deu apoio, por exemplo, ao IRA (Exército Republicano Irlandês) nos anos 70.

Em Jerusalém, o correspondente da BBC James Reynolds disse que as autoridades israelenses devem reagir com "surpresa e alívio" à decisão de Khadafi.

"A maior esperança de Israel é que o anúncio aumente a pressão sobre o Irã", disse Reynolds.

E completou: "a decisão pode também focalizar as atenções no próprio programa nuclear israelense".

O Irã assinou nesta semana um protocolo do Tratado de Não-Proliferação de armas que aumenta o acesso de inspetores da ONU às instalações nucleares do país.

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