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Atualizado às: 20 de dezembro, 2003 - 05h15 GMT (03h15 Brasília)
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Líbia diz que vai abandonar armas de destruição em massa
Coronel Muammar Khadafi
Khadafi negociou decisão por meses com a Grã-Bretanha

O líder líbio Muammar Khadafi afirmou que seu país esteve tentando desenvolver armas de destruição em massa, mas que, agora, vai abandonar o programa.

Khadafi disse à agência oficial de notícias líbia que ele está pronto para cumprir seu papel em um mundo livre de todas as formas de terrorismo, depois de meses de negociações com representantes de outros países.

O processo de desativação do programa de armas, segundo ele, vai ser "transparente e verificável", e o alcance dos mísseis de defesa líbios vai ficar restrito a 300 km.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, foi o primeiro a confirmar a decisão inesperada de Khadafi e a qualificou de "um momento histórico e corajoso, que eu aplaudo".

Visita

Representantes britânicos disseram que, durante três semanas de visita à Líbia, peritos internacionais puderam visitar instalações secretas onde existiam projetos para o desenvolvimento de urânio enriquecido, bombas projetadas para carregar agentes químicos e estudos para o desenvolvimento de agentes biológicos.

Especialistas devem agora ir à Líbia para acompanhar o processo de desativação desses programas, o que pode demorar anos.

Os Estados Unidos e outros países há muito vem manifestando suas suspeitas quanto à existência de programas secretos para o desenvolvimento de armas de destruição em massa, apesar de a Líbia sempre ter negado isso.

Em 1995, o país reabriu a fábrica de produtos farmacêuticos de Rabta, na localidade de Qabilat az Zaribah. Antes de ser fechada, em 1990, a fábrica havia produzido até 100 toneladas de armas químicas, de acordo com os Estados Unidos.

Mas a produção de armas químicas em outra instalação, a de Tarhuna, teria sido fechada, depois de as suspeitas terem vindo a público.

Representantes do governo britânico acredita que a Líbia estava próxima de desenvolver a capacidade de construir armas nucleares.

Bush

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o coronel Khadafi concordou com a entrada de fiscais internacionais de armas "imediatamente e incodicionalmente" no país.

"A promessa do coronel Khadafi, uma vez cumprida, vai fazer nosso país mais seguro e nosso mundo mais pacífico", disse Bush.

"Líderes que abandonam a busca por armas biológicas, químicas e nucleares e por meios de lançá-las vão encontrar uma porta aberta para estabelecer melhores relações com os Estados Unidos e outras nações."

O premiê britânico, Tony Blair
Para Blair, decisão dá direito à Líbia de se reintegrar à comunidade internacional

Por sua parte, o premiê Tony Blair disse que a Grã-Bretanha vem dialogando com a Líbia há nove meses.

"A Líbia entrou em contato conosco em março, depois de negociações bem-sucedidas no caso Lockerbie, para ver se se poderia resolver a questão das armas de destruição em massa de uma maneira similar, com cooperação", disse Blair.

Segundo o primeiro-ministro, a decisão de Khadafi dá à Líbia o direito de se reintegrar à comunidade internacional.

"Ela mostra que o problema da proliferação de armas pode, com boa vontade, ser resolvido por meio de diálogo e compromisso, a ser fiscalizado pelas agências internacionais competentes."

Iraque

Blair fez um contraste entre a decisão da Líbia de se desfazer voluntariamente das armas de destruição em massa com a postura de Saddam Hussein no Iraque, que levou à invasão militar e ao afastamento do líder iraquiano.

Segundo o editor de assuntos internacionais da BBC John Simpson, a Líbia não estava no centro da chamada "guerra contra o terror", movida pelos Estados Unidos.

No entanto, o país sempre foi considerado um "amigo de terroristas" e deu apoio, por exemplo, ao IRA (Exército Republicano Irlandês) nos anos 70.

Em Jerusalém, o correspondente da BBC James Reynolds disse que as autoridades israelenses devem reagir com "surpresa e alívio" à decisão de Khadafi.

"A maior esperança de Israel é que o anúncio aumente a pressão sobre o Irã", disse Reynolds.

E completou: "a decisão pode também focalizar as atenções no próprio programa nuclear israelense".

O Irã assinou nesta semana um protocolo do Tratado de Não Proliferação de armas que aumenta o acesso de inspetores da ONU às instalações nucleares do país.

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