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Atualizado às: 20 de dezembro, 2003 - 04h10 GMT (02h10 Brasília)
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Análise: Khadafi sai das sombras

Coronel Muammar Khadafi
A Líbia de Khadafi está tentando reconstruir suas relações internacionais

O anúncio repentino de que a Líbia está abandonando suas ambições de desenvolver armas de destruição em massa é um passo importante no processo liderado pelos Estados Unidos de combater a proliferação desse tipo de armamento no mundo.

A decisão do coronel Muammar Khadafi e a captura de Saddam Hussein são dois presentes de natal muito bem-vindos para o presidente Bush e para o primeiro-ministro Tony Blair.

É natural que eles tenham corrido para a frente das câmeras para fazer os anúncios, em uma corrida que foi vencida por pouco pelo premiê britânico.

As novidades ajudam a alivar a decepção em relação ao fato de não terem sido encontradas armas de destruição em massa no Iraque, e mostram que países podem ser convencidos a não desenvolver esse tipo de armas.

 O coronel Khadafi parece ter aprendido a lição do Iraque, de que desenvolver armas de destruição em massa ou mesmo mostrar interesse nelas é altamente arriscado.

Paul Reynolds

A mensagem para a Coréia do Norte e para o Irã é particularmente clara. Se eles cooperarem, haverá recompensas. Se não cooperarem, haverá perigos.

A iniciativa do coronel

O coronel Khadafi parece ter aprendido a lição do Iraque, de que desenvolver armas de destruição em massa ou mesmo mostrar interesse nelas é altamente arriscado.

Ele estava pronto para anunciar a decisão - que, segundo disse Blair, partiu do próprio líder líbio em março, na mesma época em que Saddam Hussein estava sendo expulso do poder.

Ao mesmo tempo, a Líbia revelou que estava disposta a pagar uma indenização às famílias das vítimas do atentado de Lockerbie - o que ele fez durante o outono no hemisfério norte.

As sanções das Nações Unidas foram então levantadas e Khadafi começou a sair das sombras. Ele havia percebido para onde estava soprando o vento.

Dado o que aconteceu com Saddam Hussein, Khadafi pode se considerar sortudo de ter escapado apenas com "uma multa".

Ao mesmo tempo, o vice-embaixador dos Estados Unidos na ONU, James Cunningham, disse que a decisão da ONU "não pode ser entendida erroneamente pela Líbia ou pela comunidade internacional como uma aceitação tácita, por parte dos Estados Unidos, de que o governo da Líbia se reabilitou".

 Até que os Estados Unidos reconheçam que Khadafi cumpriu suas promessas, as sanções americanas que continuam sendo aplicadas não deixarão de existir.

Paul Reynolds

"Os Estados Unidos continuam a ter sérias preocupações sobre outros aspectos do comportamento líbio, incluindo seus problemas na área de direitos humanos, seu comportamento irresponsável na África, sua história de envolvimento em terrorismo e, mais importante, sua busca por armas de destruição em massa e meios para lançá-las", disse.

Nós agora sabemos que Cunningham estava falando sério sobre essas armas e seus mísseis.

"Patrocinador do terrorismo"

Se alega com freqüência que a Líbia estava tentando desenvolver armas químicas, embora a dimensão de seu programa de desenvolvimento não seja conhecida.

Bush mencionou programas biológicos e nucleares, sobre os quais menos ainda se sabe.

 (...)Os americanos continuam proibindo o comércio com o país, inclusive a importação de petróleo, e também continuam impondo penalidades a empresas que investem mais de US$ 20 milhões por ano na indústria do petróleo líbia.

Paul Reynolds

Até que os Estados Unidos reconheçam que Khadafi cumpriu suas promessas, as sanções americanas que continuam sendo aplicadas não deixarão de existir.

A Líbia continua sendo um grande produtor de petróleo. É o sétimo da lista dos dez maiores da Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo).

Mas os americanos continuam proibindo o comércio com o país, inclusive a importação de petróleo, e também continuam impondo penalidades a empresas que investem mais de US$ 20 milhões por ano na indústria do petróleo líbia.

Além disso, Washington ainda classifica o país como sendo um estado que patrocina atividades terroristas.

Mas, para Bush, o "caminho está aberto" para a normalização das relações - o que significa que, com tempo, isso deve acontecer.

Trata-se de uma incrível reviravolta para o coronel Khadafi, cujo próprio complexo residencial foi bombardeado por ordens do presidente americano Ronald Reagan, em 1986.

Ele também forneceu armas para o IRA (Exército Republicano Irlandês).

Agora, ele está sendo elogiado tanto pelos Estados Unidos quanto pela Grã-Bretanha.

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