BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 15 de dezembro, 2003 - 17h35 GMT (15h35 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Caio Blinder: Os votos de feliz Natal para Bush

George W. Bush
A captura de Saddam deve ser um impulso crucial para a estabilidade do Iraque.

George W. Bush é um homem de sorte. A vida tem sido generosa com uma pessoa acostumada a ganhar as coisas sem fazer muita força.

O Saddam Hussein arrancado do buraco é o melhor presente de Natal que o presidente americano poderia receber neste momento.

Após meses difíceis de ocupação no Iraque, com a popularidade em baixa e uma economia que não decolava, o quadro dá uma virada favorável para Bush em todas as frentes.

Grato, mas sem demonstrar excesso de euforia, o presidente recebe o seu presente de Natal. E vá lá.

Mesmo muitos dos seus adversários domésticos e estrangeiros admitem que ele merece.

Prematuro

Mas presentes de Natal podem ser produtos perecíveis. Não sabemos o prazo de validade desta boa sorte do presidente.

Nada garante que o presente dure até o Natal de 2004, ou seja, que faça parte do pacote de reeleição de Bush.

Os mais cínicos podem até dizer que o presente é prematuro.

Imaginem Saddam saindo do buraco no calor da campanha eleitoral com o candidato Bush no sufoco? Não teria sido muito melhor para o presidente?

Mas vamos voltar à realidade de dezembro de 2003.

Donna Brazile, uma das mais hábeis estrategistas eleitorais do Partido Democrata e que dirigiu a campanha de Al Gore quatro anos atrás, admite que a prisão do ex-ditador iraquiano "é uma grande vitória para Bush. Pegar Saddam tão cedo e levá-lo a julgamento durante a campanha eleitoral significa uma mensagem clara: o presidente está vencendo a guerra contra o terror".

Obviamente, existe uma premissa no raciocínio de Donna Brazile.

Impulso

A captura de Saddam deve ser um impulso crucial para a estabilidade do Iraque.

As pesquisas instantâneas dos últimos dias mostram que os americanos estão aliviados ou contentes com esta imagem patética e humilhante de Saddam Hussein, mas não acreditam que o Iraque esteja prestes a se converter na Suíça do Oriente Médio.

O impacto político-eleitoral da captura do ex-ditador será neutralizado se a violência persistir no país e em especial se continuar o ritual de mortes de soldados americanos.

A oposição democrata expressou os cumprimentos protocolares pela prisão de Saddam, mas mais do que nunca centra fogo na profundidade da insurgência antiocupação no Iraque, como prova do "erro estratégico" (expressão do ex-vice presidente Gore) que foi a invasão.

Não há dúvida, porém, que a captura do ex-ditador alterou a dinâmica da corrida entre os pré-candidatos democratas a pouco mais de um mês do início das primárias que irão selecionar o adversário do presidente republicano em novembro próximo.

'Atoleiro iraquiano'

A equação é simples. Progressos de Bush no Iraque representam retrocessos para Howard Dean, favorito entre os os democratas e que tem críticas ao "atoleiro iraquiano" como pedra-de-toque de sua campanha.

Em termos imediatos, Bush teve um sucesso. Claro que ele é o maior beneficiário, mas isto também favorece os pré-candidatos democratas, que sempre se mostraram mais firmes na defesa da invasão do Iraque.

São eles o senador Joe Lieberman e o deputado Dick Gephardt.

Lieberman, em particular, insiste que os democratas não podem deixar na mão dos republicanos a bandeira da segurança nacional e da luta contra o terrorismo.

Pelo menos neste Natal de 2003, a bandeira é de George W. Bush.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade