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Análise: O poder da idéia
A esperança de paz entre israelenses e palestinos encontra-se em um estágio tão desalentador que merece ser adjetivada com o palavrão moribunda. Por esta razão, o plano de paz alternativo firmado em Genebra na segunda-feira por moderados de ambas as partes leva um jeito de insensatez. Alguns até diriam insensatez romântica. O acordo costurado pelos ex-ministros Yossi Beilin (israelense) e Yasser Rabbo (palestino) teve o respaldo de luminares, em geral dirigentes aposentados como Jimmy Carter, Lech Walesa, Mikhail Gorbachev e Nelson Mandela. Então, onde pode estar a relevância de uma empreitada arquitetada por gente fora do poder e abençoada por quem não decide nada? Crítica Os signatários do documento de apoio qualificaram o plano virtual como um "raio de esperança", mas o governo Sharon e militantes palestinos radicais fulminaram mais este sonho de paz no Oriente Médio. Seus arquitetos são rotulados de traidores e colaboracionistas. Aqui está um bom augúrio para o plano. A vigorosa denúncia pela linha-dura de ambos os lados mostra o poder de uma idéia. O governo Sharon ficou tão incomodado que, num gesto raro, criticou as palavras simpáticas dos Estados Unidos ao plano simbólico e a decisão do secretário de Estado, Colin Powell, de se reunir com os seus autores. A jogada dos americanos é clara. Eles flertam com esta insensatez romântica dos negociadores não oficiais para pressionar os negociadores oficiais a tirar o plano oficial de paz de George W. Bush do atoleiro. Curiosamente, este plano não-oficial é, ao mesmo tempo, subversivo e convencional. Já estivemos nesta rota da paz nos tempos em que o ex-presidente Bill Clinton negociava freneticamente um acordo definitivo para a região. Concessões Agora em Genebra, o israelense Beilin, notavelmente, concordou com a volta às fronteiras pré-guerra de 1967, desistiu de manter assentamentos judaicos na Cisjordânia e Gaza como enclaves soberanos e aceitou a partilha de Jerusalém. O palestino Rabbo, notavelmente, abdicou do direito de retorno de milhões de refugiados para Israel. Além da suposta irrelevância dos arquitetos desta paz, existe uma crítica ao método. Os autores relegaram obstáculos explosivos ao longo do caminho e foram diretamente às questões mais espinhosas que dividem os dois lados, como por exemplo Jerusalém. Para os críticos, este método de negociação não gradualista reforça o absurdo do acordo simbólico. Mas são reclamações que podem ser feitas a qualquer esforço de paz em tempos de guerra. Cópias do acordo foram enviadas às casas de milhões de israelenses e palestinos. Eles ao menos podem sonhar. Hoje, isto é muito subversivo no Oriente Médio. Sonho É possível visualizar este raio de esperança. Em Israel, por exemplo, uma pesquisa de opinião mostrou 31% de apoio a este plano simbólico e 38% de desaprovação, além de 20% de indecisos. David Horowitz, editor da respeitada publicação Jerusalem Report, captou a importância política do sonho. Ele disse que o plano encoraja a esquerda israelense (ou os moderados em geral) a tentar ocupar o vácuo criado pela falta de iniciativas diplomáticas do governo Sharon. O mesmo raciocínio pode valer para moderados palestinos, acuados por radicais ou desencorajados pela incapacidade de lideranças estabelecidas como a de Yasser Arafat para assumir um papel histórico de busca da paz. Como escreveu David Ignatius, no jornal The Washington Post, a ilusão real no conflito entre israelenses e palestinos é a idéia de vitória. Não vai acontecer, não importa quantos atentados suicidas sejam lançados por palestinos ou quantas retaliações sejam desfechadas por Israel. Sonhar é preciso, de preferência com um mapa da paz na cabeça e muita paciência na mesa de negociações. |
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