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Atualizado às: 02 de dezembro, 2003 - 06h47 GMT (04h47 Brasília)
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General israelense despreza Acordo de Genebra

Israelenses e palestinos: pode ser esta uma guerra sem fim?

No dia em que o acordo "virtual" para o Oriente Médio foi assinado em Genebra, um veterano general israelense lançou um balde de água fria na idéia de que está próxima a paz com os palestinos.

Jornalistas que enfrentaram a chuva em Londres para participar de um café da manhã com o major-general (da reserva) Amos Gilad, chefe da agência político-militar do Ministério da Defesa, o encontraram cético.

Alguns acreditam que a postura de Gilad é permanente.

Outros também suspeitam que ele representa a autêntica voz do atual establishment político-militar israelense, apesar das críticas que essa visão tem recebido.

Menosprezo

A primeira coisa que o general fez foi desprezar Genebra. "Genebra não é importante", disse ele. "Cairo é mais importante."

No Cairo, nesta semana, facções militantes palestinas estão tendo um encontro para decidir se anunciam um cessar-fogo.

Mas o grisalho Golad também mostrou não acreditar muito em uma trégua. "Eles todos explodem no final", foram suas palavras.

Ele falou como um soldado lutando em uma guerra sem fim. No decorrer dos anos, ele foi um dos principais contatos do governo israelense com os palestinos.

Ele se encontrou com o líder palestino Yasser Arafat muitas vezes e estava em Londres depois de participar de uma conferência com palestinos no interior da Inglaterra.

Mas nada muito importante aconteceu na reunião, disse, e a maior parte do que ele falou durante o café da manhã com jornalistas foi sobre como considera impossível fazer paz com Yasser Arafat.

"Nós advertimos (o ex-primeiro-ministro israelense) Ehud Barak que suas conversas com Yasser Arafat em Camp David, em 2000, iriam fracassar, porque Arafat insiste no direito de retorno. Nós também advertimos que o terror seria o resultado do fracasso dessas conversas", disse.

Origem da hostilidade

O "direito de retorno" é o defendido por dezenas de milhares de palestinos de voltar a seus lares em áreas hoje controladas por Israel, que eles deixaram ou da qual foram expulsos durante as últimas guerras.

O Acordo de Genebra, de acordo com seus negociadores, apresenta uma proposta para resolver o problema, mas Amos Gilad disse que Yasser Arafat não está verdadeiramente apoiando o Acordo.

"Arafat não vai desistir do direito de retorno e, com o direito de retorno, Israel um dia deixaria de existir. Essa é a idéia", declarou.

É essa crença fundamental no coração do governo israelense que alimenta a hostilidade em relação ao líder palestino.

Surpresa

O general Gilad admitiu que o nível de violência palestino surpreendeu as Forças Armadas israelenses.

"Arafat pensou que nós seriamos derrotados por isso, mas não fomos, embora tenhamos subestimado o impacto do terror", disse.

Tal visão explica porque o general não abordou assuntos como o "processo de paz" ou a "rota da paz" (como é conhecido o mais recente plano de paz para a região).

Ele falou sobre construir um muro ou uma cerca entre israelense e palestinos, sobre resistir à influência da Síria e do Irã e sobre táticas para lutar contra o Hamas ou a Jihad Islâmica.

"Nós poderíamos ter matado os líderes do Hamas", disse, se referindo a um ataque aéreo contra um prédio de apartamentos em Gaza no qual o Hamas estava realizando um encontro.

"Nós decidimos salvar as vidas de civis ao não usar uma bomba de uma tonelada. Mas eles sabem que nós podemos pegá-los."

Encontro

A abordagem do general Gilad contrasta com a demonstrada recentemente por quatro ex-integrantes do Shin Bet, o serviço de segurança interna israelense.

Eles criticaram o fato de Amos Gilad e do Ministro da Defesa, Shaul Mofaz, concentrarem suas atenções no aprimoramento da segurança.

"Estão lidando apenas com a questão de como prevenir o próximo ataque terrorista", disse Carmi Gilon, líder do Shin Bet nos anos 90.

Ele e seus três colegas defendem a ênfase no lado político da questão.

Essa, também, é uma esperança representada pelo Acordo de Genebra.

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, começou recentemente a cogitar "medidas unilaterais" para estabelecer um acordo, e deve se encontrar em breve com o premiê palestino.

Mas o general Gilad não parece ter muitas expectativas em relação ao resultado dessa reunião.

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