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Atualizado às: 01 de dezembro, 2003 - 19h38 GMT (17h38 Brasília)
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Caio Blinder: Déficit Político

Possível guerra comercial teria levado EUA a recuar na sobretaxa ao aço
Possível guerra comercial teria levado EUA a recuar na sobretaxa ao aço

Nenhum político é de ferro, nem mesmo George W. Bush.

Os principais jornais americanos anunciaram nesta semana que o presidente decidiu dar um basta às tarifas impostas 20 meses atrás sobre aço importado de 22 países, inclusive o Brasil.

Formalmente a Casa Branca insiste que uma decisão ainda não foi adotada. Já o Washington Post (o primeiro jornal a ter acesso à informação) revelou que foi uma agonia adotá-la, mas a perspectiva de uma guerra comercial levou Bush ao recuo.

A versão oficial para a eventual mudança de curso é a recuperacão da indústria siderúrgica e não, é claro, pressões internacionais ou domésticas.

As tarifas entre 8% e 30% mancharam ainda mais a reputação de Bush como um paladino do livre comércio. Como diz o professor da Universidade de Darmouth Douglas Irwin poucos presidentes desde Franklin Roosevelt assumiram uma retórica tão liberal em comércio como Bush.

E, no entanto, em decisões que vão do aço de várias partes do mundo ao sutiã chinês, ele foi se mostrando cada vez mais protecionista.

No cálculo inicial do presidente, algumas decisões protecionistas trariam grandes ganhos políticos. Mas cada vez mais se revelam um erro de cálculo.

Nesta questão do aço houve uma reação fulminante da parte de alguns dos prejudicados, em especial a União Européia.

A resposta estava chegando depois que a Organização Mundial do Comércio decidira que as sobretaxas americanas eram ilegais e europeus prometeram impor sanções no valor de até US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 6,4 bilhões) sobre importações dos EUA, começando no próximo dia 15.

A jogada política de Bush para proteger o aço era escancarada: a indústria está concentrada em estados como Pensilvânia, Ohio e Virgínia Ocidental, que são cruciais na eleição presidencial do ano que vem.

Haveria gritaria internacional, mas a reeleição compensaria uma mancha protecionista ainda mais intensa.

Bush, porém, não imaginou que também houvesse tanta gritaria interna de indústrias (como a automobilística) que preferem importar um aço mais barato do que se sacrificar por um produto doméstico mais caro.

Ademais, a contra-ofensiva européia foi certeira. Como alvo de punições foram escolhidos produtos de estados igualmente vitais na campanha eleitoral. Dois exemplos: cítricos da Flórida e têxteis da Carolina do Sul.

Como se vê, chegou-se a um ponto em que Bush tinha muito pouco para ganhar politicamente preservando as tarifas e muito para perder.

Em termos econômicos, no final das contas, o Wall Street Journal estima que as perdas não serão tão graves com o fim das sobretaxas.

Uma guerra comercial a esta altura do campeonato teria um impacto muito mais desastroso.

Ela poderia provocar estragos em uma recuperação econômica que se delineia mais sólida e abalar a confiança dos investidores e consumidores.

Poucos esperavam que as tarifas sobre o aço, supostamente impostas para proteger uma indústria doméstica fragilizada, persistissem pelos três anos previstos.

E desde que foram adotadas em março de 2002, o cenário mudou.

As importações americanas de aço diminuíram e a gratidão política dos principais beneficiados não se materializou.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Siderúrgica endossou o pré-candidato presidencial democrata Dick Gephardt, que nem na retórica é um paladino do livre comércio.

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