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Série de TV sobre vida de Reagan é cancelada | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um ataque preventivo dos conservadores americanos finalmente foi fulminante. Após semanas de incansáveis e orquestradas pressões de ávidos partidários de Ronald Reagan, a rede de televisão CBS cancelou a exibição de uma controvertida dramatização (um docudrama) sobre os anos do ex-presidente na Casa Branca. Reagan tem 92 anos e sofre da doença de Alzheimer. Ele é um ícone dos conservadores e seus partidários argumentam que a minissérie de quatro horas, que seria exibida em 16 e 18 de novembro, retratava o ex-presidente e sua mulher Nancy de forma negativa e adulterava a história, evidenciando o viés liberal de Hollywood e da indústria de comunicação em geral. Em uma versão do script vazada para o jornal The New York Times, Reagan se mostra insensível a pacientes com Aids, dizendo que "aqueles que vivem no pecado devem morrer no pecado". Pressões? Os criticos da minissérie garantem não haver evidências de que o ex-presidente tenha dito a frase. A CBS disse que cancelou a minissérie porque ela não apresentava o casal Reagan de "forma equilibrada". Mas a produção já fora aprovada pelo alto escalão da companhia, que é uma das quatro grandes redes de TV dos Estados Unidos e pertence ao conglomerado Viacom. A CBS insiste que não se curvou a pressões politicas e econômicas, mas recebeu reclamações diretas de Ed Gillespie, presidente do Partido Republicano, e mais de 80 mil e-mails de ativistas conservadores. Dia após dia, jornalistas conservadores na internet e em talk-shows de rádio e televisão martelavam contra o projeto. Um lobby foi organizado pelo Media Research Center (que há anos denuncia um suposto viés liberal na midia), que entrou em contato com anunciantes para que boicotassem a minissérie. Anunciantes Para Jeff Chester, diretor do Center for Digital Democracy (um lobby que combate a concentração na mídia), a CBS não se dobrou a anunciantes (que até faturariam com uma maior audiência resultante da polêmica), mas efetivamente tomou uma decisão empresarial. Chester argumenta que a Viacom precisa ter um bom relacionamento com a Casa Branca e o Congresso de maioria republicana, em especial quando está em jogo o afrouxamento dos limites de propriedade de meios de comunicação. Tom Daschle, líder da minoria democrata no Senado, afirmou que todo episódio em torno do cancelamento da minissérie sobre Reagan "tem cheiro de intimidação". Floyd Abrams, um dos mais conhecidos advogados americanos em casos de liberdade de expressão, adverte que agora partidários de qualquer causa podem se sentir ainda mais encorajados a pressionar emissoras de televisão a não exibir programas que eles desaprovam. A CBS enfrentou pressões tempos atrás quando exibiu minisséries sobre Jesus e Hitler. Só pago Ironicamente, no domingo passado, a CBS levou ao ar um programa de três horas celebrando com o previsível excesso de confete seus 75 anos. A empresa, de fato, é um marco na história do rádio e da televisão, lendária pela qualidade do seu departamento de jornalismo e criatividade. Bill Paley, fundador da CBS, dizia que "propaganda não é o que você conta para as pessoas, mas o que você não conta". Na semana que vem, a rede de televisão não deve contar nada sobre Reagan. A minissérie será exibida em 2004 na televisão por assinatura Showtime (que também pertence ao grupo Viacom e tem 1/5 da audiência da CBS). Agora, só pagando. |
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