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Atualizado às: 21 de novembro, 2003 - 11h15 GMT (09h15 Brasília)
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Análise: John Kennedy, aos 40

John F. Kennedy, em Dallas, 1963
Morte de JFK inaugurou uma grande 'indústria' de conspirações

Os grandes biógrafos estiveram de volta, assim como os conspiradores mais bizarros. Na verdade, nesta semana, todos com mais de 40 anos estiveram de volta para contar onde estavam naquele 22 de novembro de 1963, quando John Fitzgerald Kennedy foi assassinado em Dallas.

Talvez apenas a tragédia JFK, que inaugurou a era do noticiário instantâneo, possa unir Gore Vidal e Donald Trump nas mesmas obviedades.

Num dos documentários, ambos disseram que Dallas 1963 foi o fim da idade da inocência para os americanos. E foi também a inauguração da maior indústria de conspirações da história.

O quadragésimo aniversário foi o "gancho" para novas receitas saírem quentinhas do forno conspiratório.

Testemunha ocular

Noelly Connally é a única pessoa ainda viva que estava na limusine quando tudo aconteceu na rua Elm.

Viúva do ex-governador do Texas (ferido no atentado), ela estava no banco da frente. Talvez tenha sido a última pessoa que disse alguma coisa para Kennedy: "Senhor Presidente, o senhor certamente não pode dizer que Dallas não o ama".

Na seqüência, os estampidos. Oh Dallas! Nas memórias que acaba de publicar, Noelly Connally, hoje com 84 anos, garante que três tiros, e não dois, acertaram Kennedy.

Mas esta testemunha ocular decepciona os conspiradores realmente maníacos. Noelly Connally insiste que tudo foi obra do pistoleiro solitário Lee Harvey Oswald.

Delírio dos bons é oferecido por Barr McClellan, advogado texano e pai do porta-voz do presidente George W. Bush. No seu livro, ele fulmina: foi o vice, Lyndon Johnson, quem mandou matar e acobertou o crime.

Espaço para suposições

Em 1993, no trigésimo aniversário da morte de Kennedy, Gerald Posner supostamente publicou um livro definitivo (Case Closed), confirmando a versão oficial do pistoleiro solitário, mas vamos à obviedade sobre o fim da idade da inocência.

Lee Harvey Oswald
Menos da metade dos americanos acreditam que foi apenas Oswald

Uma semana após o assassinato, apenas 29% dos americanos acreditavam que Oswald atirara sozinho do depósito de livros. Havia mais gente envolvida no gramado lá embaixo, de onde, muitos alegam, foram disparados os tiros fatais.

Recrutado para inúmeras entrevistas agora no quadragésimo aniversário da morte de Kennedy, Posner admite que existe muito espaço para suposições, fantasias e teorias conspiratórias.

Dallas 1963 não é como o World Trade Center 2001, sobre o qual circulam histórias no mundo árabe que 4 mil judeus foram alertados e puderam escapulir antes dos atentados. No caso de Kennedy, as conspirações ao menos têm fundamento.

Como, então, explicar o seu florescimento? A mais escancarada suspeita (ou coincidência): Oswald passara um tempo na Rússia, era muito interessado em Cuba e, dois dias após o assassinato de Kennedy, foi morto por um homem, Jack Ruby, que tinha ligações com a máfia.

Não é à toa que, ainda hoje, menos da metade dos americanos acreditam que foi apenas Oswald naquele 22 de novembro.

Oliver Stone está feliz da vida nesta semana. Sua poção mágica JFK - A Pergunta Que Não Quer Calar deve ter sido alugada com mais freqüência nas locadoras de vídeo do que Harry Potter.

Conspirações à parte, Kennedy sempre irá fascinar. Como diz Robert Dallek, um dos seus mais respeitados biógrafos, as imagens de televisão preservaram o ex-presidente no máximo com 46 anos, charmoso, carismático e exuberante. O lado menos saudável, devidamente oculto.

E, mais importante, todos com mais 40 anos (e muitos com menos) têm a sensação de que foi uma vida inacabada. Kennedy vive.

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