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Atualizado às: 17 de novembro, 2003 - 22h06 GMT (20h06 Brasília)
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A bolha de Bush

Policial guarda embaixada americana em Londres
Cerca de 14 mil policiais estarão de plantão durante a visita de Bush

Quando foi decidida há dois anos, uma visita de George W. Bush a Londres, adornada de toda a pompa e circunstância, parecia uma idéia majestosa.

O presidente americano era muito popular e até Tony Blair era popular.

Nada melhor para reforçar os laços transatlânticos.

E para a rainha Elizabeth II seria um momento histórico.

Subordinação

Woodrow Wilson, em 1918, foi o último presidente americano a se hospedar no palácio de Buckingham. Na época, o seu dela, George V, estava no trono.

Bem, não dá para cancelar a visita, e George Bush está chegando para uma ciranda de pompa e protestos.

Analistas nos Estados Unidos não têm dúvidas de que o giro de quatro dias de Bush na Grã-Bretanha é um negócio muito pior para Blair do que para o presidente americano, pois como de hábito, o líder britânico está em uma posição mais vulnerável.

A viagem irá apenas reforçar a percepção de subordinação britânica ao império de plantão e abriu flanco para vociferantes manifestações de rua.

O melhor, portanto, é manter as aparências.

Antes de chegar, Bush disse a jornalistas britânicos que Blair é independente, e o primeiro-minstro lembrou que existem divergências entre os dois países.

Bush está lamentando a bolha de segurança que será necessária durante sua permanência, mas insiste em dizer que respeita protestos e defende a liberdade de expressão.

Os movimentos do presidente serão realmente tolhidos. Pouca liberdade de locomoção. Nada de passeio de carruagem com a rainha ou discurso no Parlamento.

A bolha tem compensações. Para que ser filmado ao lado de manifestantes contrários à política americana no Iraque?

De qualquer forma, Bush trata a visita como um evento histórico, capaz de emular a viagem de Ronald Reagan em 1982 (com direito apenas a hospedagem no palácio de Windsor e não Buckingham).

Há 21 anos, Reagan em Westminster previu o fim da tirania soviética. Agora, Bush irá argumentar que o fim do regime de Saddam Hussein é um marco na história da liberdade.

E as armas de destruição em massa?

Para os assessores da Casa Branca, o ganho político da viagem será eventualmente esse papel de Bush como um paladino da liberdade, ao lado de Blair e da rainha.

O professor Larry Sabato, da Universidade da Virginia, diz que por aí é possível enxergar alguma vantagem, à medida que os eleitores americanos não dão muita bola para a impopularidade do seu presidente no exterior.

Mas Stepehn Hess, o veterano analista do Instituto Brookings, em Washington, rebate que os protestos de rua em Londres deverão encorajar a oposição à guerra dentro dos Estados Unidos.

Fred Greenstein, professor da Universidade de Princeton, vai mais longe.

Ele observa que esta viagem trará menos vantagem para Karl Rove, o guru eleitoral de Bush, do que para Howard Dean, o pré-candidato presidencial democrata que galvaniza o sentimento por mudança um ano antes das eleições.

Previsões políticas à parte, Bush faz o que pode para desfazer a imagem de caubói de caricatura.

Prefere a caricatura do turista americano provinciano e superexcitado chegando à ex-metrópole onde quase todo mundo fala uma língua parecida.

A jornalistas britâncos, Bush confessou que "quando eu vivia em Midland, Texas, nunca sonhei que ficaria no palácio de Buckingham".

Esta visita de Estado se converteu em um pesadelo, mas pelo menos o sonho de alguém se tornará realidade.

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