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Atualizado às: 14 de dezembro, 2003 - 19h34 GMT (17h34 Brasília)
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Captura de Saddam tira Bush de buraco eleitoral

Americano assiste à discurso de Bush na TV após captura de Saddam Hussein
Americano assiste à discurso de Bush na TV após captura de Saddam Hussein

O presidente George W. Bush espera que a captura de Saddam Hussein detenha duas insurreições: a primeira que desestabiliza a ocupação americana no Iraque e a segunda que ameaça a sua reeleição em novembro.

A candidatura do pré-candidato democrata Howard Dean tem sido definida como uma insurreição.

O ex-governador do pequeno estado de Vermont tem recorrido a eficientes táticas eleitorais guerrilheiras, como a coleta de fundos de campanha de pequenos doadores através da Internet.

Mas o insurgente Dean cresceu demais. Antes da captura de Saddam, a grande notícia nos EUA fora o endosso do ex-vice-presidente Al Gore à candidatura de Dean e pesquisas nos últimos dias confirmavam seu favoritismo cinco semanas antes do início da maratona de primárias democratas.

Portanto, o insurgente começava a atravessar aquela fronteira da rebeldia para a respeitabilidade.

Em sua edição dominical, o "New York Times" tomou nota do empenho de Dean para moderar suas posições em política externa.

Nesta caminhada para o meio-de-campo a mensagem era de que seu foco estaria mais em correção de curso do que uma reversão.

Bush também prefere ficar no meio-de-campo. Ele evita triunfalismo com esta espetacular vitória militar e política que foi a captura de Saddam Hussein.

O presidente inclusive adverte que o Iraque ainda é o Iraque. Não se torna uma Escandinávia com Saddam capturado.

Para Howard Dean, este domingo foi dia de admitir o óbvio. Como ele disse em entrevista à televisão, a captura do ex-presidente, "francamente", foi boa notícia para iraquianos, americanos e, particularmente, para o atual ocupante da Casa Branca.

Os rivais de Dean, é claro, não perderam a oportunidade para minar a força do líder. Na sua entrevista, o senador Joe Lieberman deu a alfinetada. Disse que se Dean estivesse no poder, Saddam Hussein também estaria no poder.

A Casa Branca tem razões de sobra para celebrar este tipo de "fogo amigo" entre os democratas, mas de novo nada de triunfalismo.

Dean cresceu e ao longo dos últimos dias os estrategistas políticos da Casa Branca advertiam contra o risco de complacência diante deste avanço. Karl Rove, o bruxo eleitoral de Bush, nunca escondeu que torcia pela vitória de Dean nas primárias democratas.

No raciocínio dele, o rebelde que reflete uma indignação com o estado de coisas está muito à esquerda para o gosto americano. Portanto, seria o candidato ideal contra o presidente.

De fato, a grande bandeira de luta de Dean tem sido o Iraque, que nas palavras do seu benfeitor Al Gore foi um "erro catastrófico" da política externa americana.

O Iraque inclusive tendia a se tornar a única bandeira de luta de um candidato insurgente com a economia dando mostra de recuperação sustentável.

A questão é saber como a prisão de Saddam irá alterar a dinâmica eleitoral mais a médio prazo.

Em termos imediatos, obviamente, George W. Bush, assim como Saddam Hussein, saiu do buraco.

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