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Atualizado às: 14 de dezembro, 2003 - 15h21 GMT (13h21 Brasília)
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Análise: O que significa a captura de Saddam Hussein

Saddam Hussein
Saddam Hussein passa por exame médico depois da captura

Saddam Hussein já não era mais tão poderoso, mas a sua prisão é muito importante do ponto de vista psicológico para o povo do Iraque, para as forças americanas e britânicas que ocupam o país e para o Oriente Médio como um todo.

A prisão dá fim definitivo à era Saddam, que trouxe pobreza, opressão e guerra aos iraquianos.

A captura do ex-líder também vai dar novo impulso às forças americanas e britânicas que ocupam o país e aos líderes iraquianos que trabalham com eles no processo de reconstrução do Iraque.

A prisão deve representar ainda um golpe na resistência contra a ocupação americana, já que, acredita-se, ao menos parte dos grupos que estão realizando ataques é leal a Saddam.

É interessante que Paul Bremer, o administrador americano no Iraque, ao anunciar a prisão, tenha feito um apelo para que a resistência deixe suas armas e se reconcilie com o novo poder no país.

Os americanos esperam que a prisão de Saddam represente uma virada na situação de violência e falta de segurança no Iraque.

Se isso vai de fato ocorrer, porém, ainda é uma dúvida.

A guerrilha deve continuar de alguma forma durante algum tempo ainda, mas a ação com certeza irá fortalecer a posição do presidente americano, George W. Bush, e do primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

E agora?

A captura também deixa no ar uma questão: o que fazer com Saddam Hussein agora?

O Conselho de Governo Iraquiano quer que ele e seus antigos aliados sejam julgados por um tribunal iraquiano – e este é o desfecho mais provável para o caso.

Ele poderá enfrentar a pena de morte, se for julgado nesse tribunal.

Na semana passada, o Conselho de Governo anunciou que um tribunal especial será criado para julgar membros do antigo regime – e um dos membros do conselho, Ahmed Chalabi, havia dito que Saddam seria julgado por esse tribunal caso fosse preso.

Essa corte será composta por iraquianos e os juízes deverão ser escolhidos pelo conselho.

“Essa corte irá julgar casos de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos desde 17 de julho de 1968 (quando o partido de Saddam assumiu o poder) até 1º de maio de 2003 (quando ele foi derrubado do poder)”, disse Abdul al-Aziz al-Hakim, membro do conselho.

O tribunal irá se focar na campanha contra os curdos nos anos 80 (incluindo o uso de gás letal na cidade de Halabje); na supressão das revoltas dos curdos e da população xiíta depois da primeira Guerra do Golfo; além de crimes cometidos durante a guerra contra o Irã e o Kuwait.

Na opinião de alguns grupos de direitos humanos, no entanto, seria preferível que o presidente deposto fosse julgado por uma corte internacional – o que descartaria a pena de morte.

O diretor-executivo do Human Rights Watch, Kenneth Roth, disse recentemente que “um tribunal internacional seria de longe a melhor opção” para julgar Saddam.

Para Roth, isso impediria que Saddam fosse julgado por juízes escolhidos pelo conselho, o que na verdade significaria uma escolha dos americanos.

Desde que os filhos de Saddam foram mortos, em julho passado, a prisão do ex-presidente de fato ficou parecendo apenas uma questão de tempo.

A ação que localizou seus filhos mostrou que eles não estavam preparados para uma vida de fugitivos e que o pai também era vulnerável.

Saddam conseguiu se esconder por mais tempo, mas não para sempre.

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