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Atualizado às: 23 de setembro, 2003 - 03h45 GMT (00h45 Brasília)
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Irã diz que vai 'reduzir cooperação nuclear'
Míssil iraniano
O Shehab-3 tem alcance suficiente para atingir Israel

O Irã anunciou que vai diminuir a sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU (Organização das Nações Unidas) depois da última exigência de provas de que os seus projetos nucleares são pacíficos.

Ali Akbar Salehi, o representante iraniano na AIEA, disse à TV estatal do seu país que o governo tem permitido mais do que o exigido segundo o Tratado de Não-Proliferação Nuclear da agência da ONU para "mostrar boa vontade e transparência".

No entanto, depois da resolução da AIEA que dá ao Irã até o dia 31 de outubro para revelar todas as suas atividades nucleares, Salehi disse que seu governo agora vai apenas agir "de acordo com a atual regulamentação".

Na segunda-feira, o presidente do Irã, Mohammed Khatami, prometeu aumentar o poderio militar do seu país durante uma exibição pública de algumas de suas armas mais avançadas.

Pela primeira vez, foram apresentados seis mísseis Shahab-3, cujo alcance preocupa Israel e os Estados Unidos, durante uma parada militar perto de Teerã que comemorou o início da guerra Irã-Iraque, em 1980.

Fins pacíficos

Khatami disse que o Irã é contra armas de destruição em massa e armas nucleares em especial, mas insistiu que tem direito de desenvolver a tecnologia com fins pacíficos.

Ele não se referiu ao prazo estipulado pela AIEA, mas disse que "mesmo se não dermos um pretexto ao inimigo, ele encontrará algum".

Na entrevista de Salehi na segunda-feira, ele também criticou a decisão de fixar uma data limite, mas não comentou se o Iraque vai respeitá-la.

"Muitos integrantes da AIEA ficaram surpresos que, apesar da cooperação muito boa do Irã com a agência, alguns países fizeram pressões por um prazo", disse o representante iraniano.

"Independentemente de nós respeitarmos ou não esse prazo, determinar uma data limite é inaceitável do ponto de vista lógico."

Salehi disse que a AIEA deve enviar especialistas na legislação ao país em breve.

O prazo dado pela agência da ONU vence no dia 31 de outubro e foi baseado em um relatório do diretor-geral da AIEA, Mohamed El-Baradei, que enumera a descoberta de urânio enriquecido – que poderia ser usado na fabricação de armas nucleares – e outros indícios de que o país poderia estar trabalhando em um projeto bélico.

Inimigos

Os mísseis Shahab-3 têm um alcance de 1,3 mil quilômetros, o que os faz capazes de atingir Israel, inimigo declarado do país.

Acredita-se que os foguetes sejam capazes de carregar ogivas nucleares. Os mísseis na parada militar estavam cobertos com slogans como "Vamos esmagar a América sob os nossos pés" e "Israel tem que ser apagado do mapa".

O correspondente da BBC em Teerã, Jim Muir, afirmou que muitos simpatizantes da linha-dura iraniana se declararam publicamente a favor de uma rejeição do prazo da AIEA e do abandono do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, como a Coréia do Norte já o fez.

Os reformistas, por sua vez, preferem uma postura menos desafiadora, apesar de encontrarem dificuldades, segundo Muir, para defender este ponto de vista por causa da pressão declarada exercida pelos Estados Unidos.

Muir diz ainda que representantes do governo dizem que uma resposta à exigência da AIEA é uma tarefa tão complexa que pode custar ainda algum tempo.

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