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Atualizado às: 15 de setembro, 2003 - 12h17 GMT (09h17 Brasília)
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Livros livres


Houve uma época, no Brasil, em que a indústria livreira adotou o slogan “Livros: o melhor presente”.

Verdade. Pelo menos, um dos melhores presentes. Muito melhor que caixa de bombom ou garrafa de vermute doce.

Os livros ganharam novo impulso com a internet. Compram-se e vendem-se livros novos e usados como nunca.

Agora, de uns meses para cá, mais um fenômeno eletrônico vem se juntar ao mundo dos livros, à maneira do que já vem acontecendo com o flash mob.

Trata-se do BookCrossing, conforme está registrado em seu próprio site, ou sítio, o www.bookcrossing.com e que leva o moto “Liberai vossos livros!”

Para quem ainda não sabe do que se trata, o fenômeno ocorre mais ou menos assim: você vai ao sítio – por sinal, vejam só, arado e cultivado no Estado do Kansas, nos Estados Unidos –, registra-se e, daí então, entra na roda, que o bolador da coisa, por certo um romântico, gosta de chamar de Karma ou Destino.

A roda é simples. Você pega um livro e o deixa cuidadosamente num lugar qualquer, como se dele tivesse se esquecido. Se quiser, pode deixar umas palavras naquela página em geral usada para dedicatórias.

Espera então que alguém pegue o livro (não necessariamente na sua presença) e depois registra o “esquecimento” no sítio e fica esperando para ver se a descoberta é acusada formalmente. Quem achar um livro “atravessado” também vai ao sítio e registra. Só isso.

Até domingo, dia 14 de setembro, o BookCrossing já tinha 162.893 sócios, 560 mil livros registrados e acusava cerca 25 milhões de acessos, nenhum deles histérico.

Também davam os três mais recentes livros encontrados e os três deixados: iam da França à Alemanha, passando pela Áustria. No Brasil, três cidades estão nas páginas eletrônicas do sítio: Rio, São Paulo e Porto Alegre.

Tudo isso é muito bonitinho, coisa e tal, mas eu tenho umas perguntas para fazer a respeito: e o prazer de se emprestar ou dar um livro que se quer bem a um amigo ou amiga? E os direitos autorais? E as editoras?

É justo para com essa gente toda? Ou só vale – sejamos realistas – se desfazer de livro que não se respeita tanto assim?

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