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G20 prepara contraproposta para cortes de subsídios | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O G20, grupo que reúne Brasil, Índia, China e outros países emergentes, anunciou nesta terça-feira que apresentará uma contraproposta à oferta norte-americana de cortes de subsídios agrícolas para um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC). Os detalhes da contraproposta ainda estão sendo negociados, mas devem incluir a exigência do fim dos subsídios até 2010, como dizem os Estados Unidos e ao contrário do que defende a União Européia (UE), que não quer o estabelecimento de uma data. Além disso, o bloco dos países em desenvolvimento deve pleitear que o corte dos subsídios domésticos fique em cerca de 70% para todos os países ricos. Na segunda-feira, os Estados Unidos apresentaram uma oferta de corte de 60% em seus subsídios domésticos agrícolas. "Insuficiente" “Foi um passo insuficiente”, afirmou o chanceler brasileiro Celso Amorim, que participou de uma reunião do G20 em Genebra nesta terça-feira. A União Européia também apresentou uma proposta de cortar em 70% os seus subsídios domésticos, mas sua oferta é diferente daquela estudada na contraproposta do G20 porque se limita apenas aos países integrantes do bloco europeu, e não a todos. O governo americano tenta convencer os demais países na OMC que os cortes de 60% a que se dispôs realizar reduziriam as distorções no mercado agrícola mundial. Na avaliação do G20, porém, tal proposta nem sequer corta o que os Estados Unidos distribuem atualmente aos seus fazendeiros. No momento, a Casa Branca tem o direito de dar subsídios no valor de US$ 47 bilhões por ano, mas concede pouco mais de US$ 20 bilhões. Esse valor, no entanto, já é suficiente para prejudicar as exportações agrícolas brasileiras. O representante de Comércio dos Estados Unidos, Robert Portman, rebateu os argumentos brasileiros e dos membros do G20, afirmando que seu país está oferecendo realizar cortes reais dos subsídios. Falando a jornalistas em Genebra, Portman disse que há agora um “movimento verdadeiro” na direção de um acordo para desbloquear as negociações comerciais da chamada Rodada de Doha, que já dura quatro anos. “Pela primeira vez, vejo um movimento verdadeiro para se obter um encontro bem-sucedido em Hong Kong”, declarou Portman, referindo-se à reunião ministerial da OMC em Dezembro em que se espera alcançar um acordo internacional de comércio. Diplomatas presentes nas negociações em Genebra dizem que a retórica vazia representando os diferentes interesses está saindo de cena, dando espaço a discussões concretas sobre números e fórmulas para se chegar a uma posição que agrade o maior número de países. |
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