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Lula e Chirac divergem sobre subsídios agrícolas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Apesar de reiterarem as excelentes relações entre os dois países, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da França, Jacques Chirac, não esconderam as profundas divergências em relação à questão dos subsídios agrícolas concedidos pelos países desenvolvidos a seus agricultores durante a visita de Lula ao país europeu. Depois de um encontro com o presidente brasileiro no Palácio do Eliseu, nesta quinta-feira, Chirac disse que "não existem problemas entre Brasil e Europa" nesta questão, mas sim, "entre os Estados Unidos e o resto do mundo". A Europa já anunciou que vai pôr fim aos subsídios às exportações agrícolas, mas só quando os Estados Unidos adotarem as mesmas medidas. "Nós esperamos a decisão americana", disse Chirac. Já o presidente brasileiro vê o assunto de outra maneira: "Todos sabem que Brasil e França são países irmãos, e que temos uma profunda divergência, não porque perdemos a Copa do Mundo de 98, mas porque toda hora que discutimos a questão dos subsídios agrícolas, nos perguntam: 'E os franceses, o que pensam?', e eu digo sempre: 'Os franceses pensam em sua situação política e econômica'". "Mas nós no Brasil vamos continuar na Organização Mundial do Comércio fazendo gestão para que Europa e Estados Unidos possam fazer concessões para que os países pobres tenham o poder de ganhar alguma coisa." Questionados por jornalistas, tanto Chirac como Lula se recusaram a falar sobre os problemas políticos que enfrentam em seus respectivos países. O presidente francês enfrenta queda de popularidade na França, e Lula atravessa o que muitos analistas acreditam ser a pior crise de seu governo. Chirac disse que não ia discutir assuntos internos com a imprensa, e Lula deu razão a ele. Acordos Nesta reunião no Palácio do Eliseu, os presidentes dos dois países discutiram uma série de acordos a serem assinados nesta sexta-feira. Entre eles, estão a compra de 12 aviões franceses militares Mirage e a construção da ponte sobre o Rio Oiapoque - que ligará o Estado do Amapá à Guiana Francesa. França e Brasil também fecharam acordos nas áreas de energia nuclear, civil e espacial, na luta contra as mudanças climáticas, e ainda um tratado de preservação ecológica, que prevê a criação de dois parques para preservação da biodiversidade no Amapá e Guiana. Desenvolvimento Na declaração franco-brasileira divulgada na manhã de sexta-feira, os dois países reafirmaram o desejo de concentrar esforços e medidas concretas realizáveis a curto prazo para complementar a ajuda pública destinada ao desenvolvimento mundial. A declaração prevê que esses recursos sejam arrecadados sob a forma de um imposto em passagens aéreas, pagos por passageiros que embarquem em algum país que participe do projeto. O imposto entraria em vigor até 2006, para financiar o combate à Aids e outras pandemias, em particular a compra de remédios. Esta "contribuição de solidariedade", como foi chamada a proposta, terá um valor baixo e poderá ser diferenciada entre passagens para classe econômica, executiva e primeira. Chirac já havia levantado a hipótese de implementar este imposto há dois meses. "Esses acordos demonstram a confiança e amizade entre a França e o Brasil", disse Chirac, que também elogiou a participação brasileira nas comemorações pela queda da Bastilha. Após a assinatura dos acordos, Lula vai visitar a réplica do 14 Bis, em uma exposição no museu espacial do aeroporto Bourget, ao norte de Paris. Em seguida, ele embarca de volta para o Brasil. |
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